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Festival dos Potes e da Gastronomia Duriense

20 pratos tradicionais provam o potencial gastronómico de Provesende

20 receitas tradicionais confecionadas em potes de ferro. Foto © Filipe Ribeiro

Açorda de alheira, chanfana, ossos da suã, papas de sarrabulho, rojões, redenho e milhos em vinha d’alhos foram alguns dos pratos confecionados de forma tradicional em potes de ferro, no domingo, 17 de março, num festival que juntou centenas de comensais na aldeia vinhateira de Provesende.

A mais antiga freguesia de Sabrosa, outrora concelho, que diz possuir “mais casas brasonadas por metro quadrado em toda a Europa”, leva-nos numa viagem no tempo, entre vinhas, na margem direita do rio Douro, solares e casas em xisto. Mas foi a gastronomia alto duriense, de base rural, que atraiu visitantes de vários pontos do país.

Luís Ferreira é da Confraria do Pote e da Amizade

Luís Ferreira veio de Penafiel e é confrade na Confraria do Pote e da Amizade, que se dedica à gastronomia entre o Douro e o Minho. Trouxe dois dos 30 potes que estiveram ao lume, durante a soalheira manhã de domingo, e ficou com o encargo de cozinhar o “Pica no chão”, prato mais conhecido como arroz de cabidela, que ajuda a preservar “os usos e costumes” da região. “É um prato muito apreciado por aqui. Nós chamamos-lhe ‘pica no chão’ porque é feito com galo ou galinha”, refere.

De Guimarães viajaram, pela primeira vez, Filomena Lopes e o marido, casal que aprecia boa gastronomia, lembrando a importância de “manter vivas as tradições locais”, em especial numa aldeia vinhateira e bem preservada como Provesende. Aos 91 anos, António Vilela, natural desta aldeia, ainda se recorda dos pratos “cozinhados ao lume”, onde havia sempre uma sopa de feijão e uns rojões, prontos a servir. “Gosto muito que as pessoas nos venham visitar para provar a nossa gastronomia”, conta-nos.

 

Receita do festival reverte para fins sociais

António Vilela é dos participantes mais antigos

O Festival dos Potes e da Gastronomia Duriense, que se realiza pela segunda vez, surgiu por causa “do desejo de criar um evento que ajudasse a preservar as nossas raízes ligadas à gastronomia tradicional”, conta ao 7MONTES Carlos Madureira, presidente da junta de freguesia. Pela diversidade de pratos servidos a um preço simbólico (o kit de degustação custa seis euros e incluiu uma tijela e uma caneca de barro) e pelo programa cultural, com animação musical, o acontecimento “atrai sempre muitos turistas”. “O português, assim com o estrangeiro, gosta sempre de festas onde se come bem e bebe bem”, atira o autarca.

 

O festival, que não é o único em Provesende (em setembro é a vez da Feira do Vinho e da Vinha), tem uma dupla obrigação, de acordo com Helena Lapa, presidente da autarquia: “pretende-se, em primeiro lugar, reavivar as tradições ancestrais, neste caso os pratos típicos da região, mas também ajudar as nossas instituições sociais, já que o dinheiro angariado reverte para as IPSS do concelho”.

Além das iguarias, que saem dos potes a um ritmo mais rápido do que foram cozinhadas, houve espaço ainda para a promoção de outros produtos, como o vinho ou os doces conventuais, distribuído por cerca de 20 bancas de produtores locais. Nesta terra fértil de saberes e sabores ligados à vinha, onde encontramos 13 casas senhoriais e brasonadas, são 20 os pratos tradicionais que fazem prova do potencial gastronómico da região vinhateira.

Centenas de participantes na II edição do Festival de Gastronomia do Douro Foto © Filipe Ribeiro

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