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De Freixo de Espada à Cinta a Braga

A caminho de Santiago com León de Rosmithal

A paisagem rural será um dos principais atrativos. Foto © Rúben Castanheiro
A paisagem rural será um dos principais atrativos. Foto © Rúben Castanheiro

Em março, 12 municípios assinaram um protocolo para revitalizar um caminho de Santiago ao longo de 230 quilómetros. Oito dessas autarquias são transmontanas. O 7MONTES foi ver o que os peregrinos podem descobrir de mais significativo ao atravessar Trás-os-Montes seguindo o trajeto que terá sido o do cavaleiro Léon de Rosmithal.

De Freixo de Espada à Cinta até Braga, o caminho de Santiago que a dúzia de municípios se comprometeram a recuperar pretende homenagear Léon de Rosmithal, um notável cavaleiro da Boémia Central, região da República Checa. Durante dois anos, Léon passou por vários países, incluindo Portugal, em direção ao famoso santuário da Galiza. Em Trás-os-Montes, há muitos pontos de interesse para quem pretenda percorrer o trajeto escolhido pela comitiva daquele cavaleiro que em meados do séc XV entrou em Portugal vindo de Salamanca, atravessando o rio Douro perto de Freixo de Espada à Cinta.

Começando nesta vila raiana, os peregrinos poderão passar pelo seu centro histórico, dando particular atenção à visita à igreja Matriz de Freixo e à capela da Senhora dos Remédios. A nível paisagístico, passarão perto de dois miradouros: o miradouro do Alto do Pirocão e o miradouro do Penedo-Durão.

Prosseguindo para terras de Torre de Moncorvo, a história continua a estar muito presente. Seguindo por Mós, Carviçais, Felgar e Souto da Velha, Larinho, Torre de Moncorvo, Adeganha e Cardanha e Horta da Vilariça, poderão ser observadas duas calçadas: a calçada medieval de Mós e a calçada em Hematite (minério de ferro). A serra do Reboredo também merece ser referida, porque, em tempos, nela se desenvolveu uma importante exploração mineira de ferro, atividade muito valorizada no concelho. Além disso, poderão ser ainda observadas a estação do caminho de ferro de Carvalhal, a estalagem e o chafariz de Lamelas, a capela de Nossa Senhora da Conceição, a capela de São João Baptista, a capela e solar de Santo António, a basílica de Nossa Senhora da Assunção, o chafariz filipino, o Castelo de Torre de Moncorvo e o o centro histórico da vila, antes de entrar pelos lagos do Sabor e subir em direção à ribeira da Vilariça.

Uma das ruas de Torre de Moncorvo, próxima do castelo. Foto © Rúben Castanheiro
Uma das ruas de Torre de Moncorvo, próxima do castelo. Foto © Rúben Castanheiro

É nesse ponto que se entra no concelho de Vila Flor. Aqui, o caminho passará pelo Nabo, onde se pode observar a fraga, conhecida como a “Pala do Conde”, que deu origem a uma lenda transcrita por Alexandre Parafita, e ainda a “fonte dos Enjeitados”. Pela estrada municipal, chega-se ao Arco, onde se encontra a “fonte dos Olmos”. Já em Vila Flor é D. Dinis quem “assume as rédeas” através do magnífico arco de uma das antigas portas da muralha e da estátua do rei que atribuiu o foral à vila, em 1286.

 

Entre dois distritos: Bragança e Vila Real

Arco de D. Dinis, em Vila Flor. Foto © DR
Arco de D. Dinis, em Vila Flor. Foto © DR

Prosseguindo para Samões, a religião, através dos edifícios e interiores da igreja de S. Brás e da capela de Nossa Senhora do Rosário, torna-se a principal atração. Atravessando um caminho rural, o percurso chega a Freixiel, uma das aldeias históricas do concelho. Logo à primeira vista, salta aos olhos a antiga forca, com os seus dois pilares em pedra bem preservados. A viagem prossegue pela serra, até descer para o Vieiro onde os peregrinos encontram a antiga Capela de S. Domingos, bem como a respetiva fonte.

É na aldeia de Abreiro que Mirandela tem o seu contributo. Aqui, as pessoas poderão observar a Ponte do Diabo, também conhecida como Ponte de Abreiro, com vista direta para a antiga estação do caminho de ferro. Já no centro da aldeia, é possível observar a Capela de S. Pedro.

A antiga estação do Vieiro e de Abreiro. Foto © Rúben Castanheiro
A antiga estação do Vieiro e de Abreiro. Foto © Rúben Castanheiro

Nos lados de Vila Real, o percurso começa em Murça, passando pelo Castelo do Cadaval, a ponte e as calçadas romanas sobre o rio Tinhela, o busto do soldado Milhões, a Porca de Murça e o cruzeiro de Carva.

Em Alijó, os pontos de interesse passam pela Capela de Nossa Senhora da Boa Morte e pelo Cruzeiro, no Pópulo, pelo castro, também no Pópulo e a casa dos Milagres, em Perafita.

Vila Pouca de Aguiar também transporta consigo alguns monumentos e locais de interesse, entre os quais o Centro Interpretativo Mineiro de Jales, a fonte de São João e a nascente do rio Pinhão, em Vreia de Jales, a serra da Padrela, o apeadeiro de Parada de Aguiar, o castelo de Aguiar da Pena, as sepulturas medievais de Povoação e a casa do Capitão de Viduedo.

Por último, a passagem por Trás-os-Montes deste caminho de Santiago termina em Ribeira de Pena, onde podem ser visitadas a praia fluvial de Cerva, o miradouro da Feira da Lomba e o parque dos Cervinhas, em Cerva.

Algumas das marcações deste caminho do cavaleiro Léon de Rosmithal ainda não estão no terreno, mas as autarquias envolvidas prometem para breve a colocação das indicações em falta, de modo a que por este percurso se movam os peregrinos e caminhantes entre Trás-os-Montes e o Minho, a caminho de Santiago de Compostela.

7MONTES é financiado pelo programa Local Media for Democracy do Journalismfund Europe www.journalismfund.eu

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