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Montalegre

A “Serrada das Velhas” volta a sobressaltar Vilar de Perdizes

Padre Fontes deu o mote para mais uma “Serrada das Velhas”. Foto © CM Montalegre

Com o padre António Fontes ­­‑ antigo pároco da aldeia de Vilar de Perdizes, em Montalegre ‑ na frente, a “Serrada das Velhas” saiu em cortejo durante a noite, no dia 6 de março, reavivando a tradição que acontece precisamente no meio da Quaresma. O grupo de homens, munido de uma serra comprida, visitou algumas casas da freguesia para cantar músicas satíricas às mulheres mais idosas da aldeia.

Tradicionalmente, os homens mais velhos da aldeia tomavam a iniciativa dos cânticos. As vozes calejadas, tolhidas pela idade, serviam de inspiração aos mais novos, para que este ritual perdure no tempo e passe para de geração em geração. O objetivo, de acordo com Nuno Alves, que preside à Associação de Defesa do Património de Vilar de Perdizes, “é manter viva a tradição”, numa aldeia com cerca de 450 habitantes, a maioria com mais de 60 anos. “É uma noite em que satirizamos as pessoas mais velhas, em especial durante ´o momento´, que são quadras em latim dirigidas às senhoras com mais de 80 anos”, explica o promotor, que conta com o apoio da União de Freguesias de Vilar de Perdizes e Meixide e município.

Com a iniciativa, a associação pretende também “combater a solidão e proporcionar momentos de alegria junto da comunidade mais envelhecida”, apesar das críticas sociais que através dos cantares são dirigidas às mulheres de mais idade. “Nem toda a gente gosta, mas há senhoras idosas que alinham na brincadeira”, garante Nuno Alves.

Apesar de acontecer todos os anos, Flora Moura acompanhou, pela primeira vez, o cortejo. Conta que a tradição já se fazia quando era criança, altura em que os cânticos e o barulho que entoava na aldeia atormentava os mais novos. “Eles [os homens] saíam durante a noite e cantavam muito alto. Algumas senhoras até acordavam e ficavam muito zangadas com aquela brincadeira”, refere.

A encenação popular integra os rituais de passagem das comunidades mais rurais e ainda acontece em algumas aldeias transmontanas. Está ligada ao simbolismo da regeneração e renovação, que pode ser interpretado pela “destruição do velho, para dar lugar ao novo”.

Tomás Bernardo iniciou-se, neste ano, na “Serrada das Velhas” de Vilar de Perdizes. Começou a aprender as músicas e já acompanhou o grupo na leitura das sátiras. “Nem todas as senhoras gostam de ser ‘serradas’, mas há algumas que não se importam e temos muito gosto em cantar-lhe à porta”, refere o jovem, natural desta aldeia, que defende a preservação desta tradição popular, apesar da crítica social que é a sua base inspiradora.

Grupo visitou algumas casas na aldeia de Vilar de Perdizes. Foto © CM Montalegre

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