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Via Dolorosa

Alijó: 500 pessoas recriam Paixão de Jesus

Representação da Via Dolorosa em 2023. Foto © CM Alijó

No Domingo de Ramos, 24 de março, cinco centenas de pessoas vão participar, em Alijó, na encenação da Via Dolorosa. A iniciativa marca o início da Semana Santa e terá a participação das 14 freguesias do concelho, que vão recriar os últimos dias da vida de Jesus Cristo.

O espetáculo ao ar livre, com a duração de quase duas horas, cumpre a sequência da narrativa da paixão de Cristo. Cada uma das 14 estações que constituem a Via Sacra é encenada por uma freguesia, num lugar específico da vila, conferindo-lhe “uma dinâmica própria e singular”. A dramatização terá início às 21 horas, em frente ao Tribunal de Alijó.

Os ensaios começaram no passado mês fevereiro nas diferentes freguesias do concelho. “Desde a primeira hora, quisemos envolver a comunidade em geral, as associações locais, as bandas de música e os grupos de escuteiros, que rapidamente abraçaram este projeto”, conta ao 7MONTES Mafalda Mendes, vereadora da cultura do município de Alijó, que promove a iniciativa.

Neste ano, “a adesão já é superior à do ano passado”, mas “a fasquia está mais alta e haverá ainda melhores condições para o público assistir”, garante Mafalda Mendes, que pretende, com este evento, “aumentar a oferta cultural numa época em que há muitas pessoas que regressam à terra para visitar as suas famílias”. “É também uma oportunidade para atrair pessoas de outros pontos do país e quebrar a sazonalidade do turismo”, refere.

Esta representação da paixão e morte de Jesus, que mobiliza centenas de pessoas na Semana Santa, “está muito ligada à fé das pessoas”, afirma o padre Ricardo Machado, pároco de Carlão, Pegarinhos, Santa Eugénia e Vila Chã, em Alijó. “A Via Dolorosa pretende ser, além de um momento cultural importante, uma celebração religiosa das pessoas para as pessoas”, lembra o clérigo, contente com a forte adesão dos fiéis.

A Páscoa, “o momento mais importante do calendário litúrgico”, é vivida de forma especial nas comunidades transmontanas. Um pouco por todo o distrito de Vila Real e ode Bragança, há encenações que remetem para a crucificação e morte e de Jesus Cristo, que “emocionam quem assiste e participa”. “Muitas pessoas pensam, também, na sua própria cruz, nas dificuldades da sua vida, e identificam-se com estes momentos dramáticos da vida de Cristo”, remata o Padre Ricardo.

 

Via Dolorosa terá participantes de todas as idades

Representação da Última Ceia em 2023. Foto © CM Alijó

Na aldeia de Carlão, sede de freguesia, onde a comunidade é responsável por encenar a sexta estação da Via Dolorosa, os ensaios decorrem em conjunto com a Banda de Carlão, uma das duas que participa, musicalmente, na dramatização. Isaura Diogo, de 46 anos, sente que é “gratificante” a presença da banda filarmónica, naquele que é um encontro geracional que se transforma em convívio a cada ensaio. “Gostamos muito de participar. Há pessoas que só vemos mesmo nesta época do ano”, refere.

Manuel Quintas, de 71 anos, que já participou no ano passado, é um dos elementos do grupo que vai representar a estação em que Santa Verónica dá o véu a Jesus para que Ele limpe o rosto ensanguentado. Admite que o evento é positivo porque “mobiliza muita gente”. Também Teresa Lourenço, de 73 anos, igualmente “repetente”, fala da emoção que sente ao participar na recriação: “Ficamos todos muito sensibilizados. É uma época em que sentimos muito a vida de Cristo”.

Um dos elementos mais novos é Jéssica Fernandes, de apenas 17 anos, que participa na Banda de Música do Carlão. Reconhece que os jovens “estão um pouco desligados” da religião, mas admite que são eventos como este que lhes permitem “aproximar da Igreja”.

Para o presidente da Junta de Freguesia de Carlão e Amieiro, António Oliveira, de 50 anos, a Semana Santa “é vivida de forma especial” nas aldeias deste território essencialmente rural. Daí que a Via Dolorosa de Alijó seja “um momento importante” na vida destas comunidades. “São as pessoas idosas quem cultiva mais estas celebrações, mas é com agrado que vemos a participação mais jovens”, sublinha o responsável, notando que o evento também ajuda a “combater o isolamento”.

Além da representação da Via Sacra, no dia 24 de março, em Alijó, haverá, também, outros eventos similares na região. Em Vila Real, a Via Dolorosa sai à rua com a Companhia de Teatro Filandorra, a 27 de março, e na Sexta-feira Santa (29 de março) o grupo coral de Vila Pouca de Aguiar animará a Igreja Matriz com a mesma iniciativa.

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