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Liga dos Amigos do Douro Património Mundial

Alterações climáticas, turismo e ferrovia desafiam futuro do Douro

“O Douro está no mapa dos vinhos de excelência, do património mundial e dos destinos turísticos mundiais de qualidade, mas é difícil apagar a sua condição de território periférico e marginal”, reconheceu ao 7MONTES Fontaínhas Fernandes, presidente da Liga dos Amigos do Douro Património Mundial, que aponta a captação de investimento, a ferrovia e as alterações climáticas como os grandes desafios para o futuro da região.

 

Presidente da Liga dos Amigos do Douro Património Mundial

Criada em 2018 para “contribuir para o desenvolvimento social, cultural e económico da região duriense e dos seus habitantes”, a Liga dos Amigos do Douro Património Mundial quer elevar o reconhecimento e projetar a região no mundo. O atual presidente, recentemente eleito, antigo reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), que lidera a Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES), além de ser, também, membro do Conselho Económico e Social (CES), quer apostar na “intervenção pública, formação, informação e promoção” do Douro e das suas gentes.

É a pensar na intervenção pública que a associação tem impulsionado um conjunto de debates abertos à comunidade sobre o futuro da região. “Nas comemorações dos 20 anos da classificação [do Alto Douro Vinhateiro como património mundial] da UNESCO, a Liga comprometeu-se a abrir um conjunto de debates sobre os grandes desafios do Douro. Além de manter o papel de preservação e promoção do selo, tem a obrigação de mobilizar outros atores da sociedade civil com papel relevante no Douro”, declara Fontaínhas Fernandes, de 62 anos. Para ele a região “precisa de políticas que promovam investimentos, que criem e fixem valor, de investimentos que assentem na inovação e promovam o emprego qualificado, a fixação e atração de população”. Para tal, o responsável admite serem essenciais “projetos estruturantes que envolvam e comprometam todos os atores regionais, mas, também e principalmente, são necessárias instituições ativas e catalisadoras”.

Para o presidente da Liga, os debates são fundamentais para auscultar quem está na região e “diagnosticar algumas áreas de intervenção”. E apesar de o Douro estar, hoje, “no mapa dos destinos turísticos mundiais de qualidade, o seu histórico encravamento geográfico torna difícil apagar a sua condição de território periférico e marginal, face aos centros mais dinâmicos situados no litoral”. “Esta condição, associada a uma tendência de esvaziamento demográfico e de envelhecimento, tem agravado as disparidades de desenvolvimento económico e social e coloca desafios sérios para o futuro imediato”, observa.

A fixação de investimento é, por isso, uma prioridade. Daí que Fontaínhas Fernandes defenda a criação de uma taxa turística no Douro, à semelhança do que é praticado em muitas cidades europeias. “Porque não a criação de uma taxa turística para investir no desenvolvimento do Douro? Já são aplicadas em grandes cidades europeias, porque não numa região que é marca UNESCO?”, questiona.

 

Douro é Património Mundial da Humanidade desde 2001. Foto: DR

Aumentar o tempo de permanência dos turistas

A Linha do Douro é, atualmente, uma infraestrutura fundamental para a região, não só por questões de mobilidade, mas também pelo potencial turístico. Nesse sentido, a Liga dos Amigos do Douro promoveu, recentemente, um debate sobre o futuro da ferrovia, sem descorar a eventual criação de um corredor ferroviário de alta velocidade entre Porto e Madrid, via Trás-os-Montes.

Fontaínhas Fernandes não tem dúvidas em afirmar que a ferrovia é “um ativo estratégico para o desenvolvimento do turismo” e considera importante a criação de uma rede de patrimónios mundiais sob a marca da UNESCO, entre o Porto, o Douro, o Vale do Côa e Salamanca, “para dar escala e fixar por mais tempo os visitantes”. “Não nos podemos esquecer que um dos problemas do Douro é o tempo médio de estadia, que ainda é muito reduzido”, lembra.

A Navegabilidade também é um ativo importante, mas o presidente da Liga adverte que “é preciso analisar as consequências ambientais”, porque “o elevado trânsito no rio Douro pode criar um impacto negativo desse ponto de vista”.

As alterações climáticas, com impacto na viticultura, também são uma preocupação para esta organização sem fins lucrativos. O território precisa, de acordo com o dirigente, “de soluções para fazer um maior aproveitamento da energia solar, ser mais eficiente na utilização dos recursos hídricos, porque cada vez chove menos e mais intensamente”. “É preciso pensar num conjunto de soluções para mitigar os efeitos das alterações climáticas”, aponta.

Por fim, Fontaínhas Fernandes, em nome da Liga dos Amigos do Douro, pretende que o Alto Douro Vinhateiro, enquanto Património Mundial, “tenha maior visibilidade e notoriedade”. “Esperamos atrair mais pessoas singulares ou coletivas da região duriense, que tenham aqui as suas raízes ou que, simplesmente, se identifiquem com o valor patrimonial do Douro Vinhateiro. O Douro precisa de internacionalizar a marca e o território”, defende.

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