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Vilarinho, Bragança

Apimonte: o mel que também serve de colmeia

A Apimonte é uma empresa de Vilarinho (Bragança), que é conhecida pelo seu mel, mas não só. Com 4 medalhas de bronze, em 2019, 2020, 2022 e 2023 e uma de prata, em 2021, tornou-se num mel muito acarinhado na região. Produz mel de castanheiro, mel de eucalipto e mel multifloral. Mas vende também pólen, cera e própolis, que é “uma substância resinosa obtida pelas abelhas através da colheita de resinas da flora apícola da área envolvente da colónia, e alterada pela ação das enzimas contidas na sua saliva”, explica Luís Correia, proprietário da empresa.

Produtos da empresa Apimonte Foto @Rúben Castanheiro
Produtos da empresa Apimonte.  Foto @Rúben Castanheiro

Luís vive no meio da natureza, junto a um parque infantil. Mesmo em frente a sua casa, encontra-se um largo, que no centro tem uma pequena fonte. As colmeias encontram-se espalhadas por diversas zonas do Parque Natural de Montesinho, e podem ser observadas pelos turistas.

A ciência da apicultura chegou-lhe por via da avó. Com ela aprendeu o gosto pelas abelhas e seus produtos. Adquiriu uma quantas colmeias, no início da década e nunca mais parou. Pouco a pouco, sem ajuda externa e investindo o seu próprio rendimento, foi construindo uma empresa que hoje possui mais de 800 colmeias.

Na primavera de 2019 algumas das suas colmeias foram atacadas e serviram de alimento a um urso pardo que visitou o Parque Natural de Montesinho, mas isso não frustrou totalmente Luís. Em declarações ao Público, na altura, mostrou-se até disponível para acolher o urso no Parque Natural. “Temos sempre receio porque a apicultura é uma actividade muito cara, mas queremos acarinhar o urso, a ver se ele fica por aqui. O regresso desta espécie já era aguardado há muito. Gostamos que os animais venham para aqui porque caso contrário o parque natural torna-se pobre em termos de biodiversidade”.

O urso ficou diretamente ligado à marca, funcionando como promotor Foto @Rúben Castanheiro
O urso ficou diretamente ligado à marca, funcionando como promotor. Foto @Rúben Castanheiro

Mas Luís Correia não é apenas um apicultor, é um apaixonado por tudo quanto diz respeito à natureza e ao território do Parque Natural de Montesinho. Para ele, a sua apicultura “está num local privilegiado” e, por isso, o seu lema é o de procurar “’vender’ esta zona, não pela desgraça de sermos poucos, mas sim pela virtude de sermos poucos”. Perante a vida e as situações não cabem os ‘coitados e coitadinhos’, pelo contrário, reconhece o privilégio: “estamos situados em pleno Parque Natural de Montesinho, o que é uma grande mais-valia”. E por isso mesmo lançou-se no alojamento local, para “dinamizar a região, para que as pessoas possam observar a natureza e desfrutar desse tipo de turismo.” São já quatro as casas de habitação turística que adquiriu. Os acessos, segundo ele, não são curvas apertadas, como as da Nacional 308, mas sim “belezas paisagísticas”.

Quanto à ameaça da vespa velutina que se tem desenvolvido muito rapidamente no Nordeste Transmontano e que pode pôr em causa a vida de muitas espécies de abelhas, Luís Correia manifesta-se esperançado que as temperaturas muito baixas que caracterizam o inverno no Parque Natural de Montesinho contribuam para afetar o propagar da vespa, impedindo que esta possa “pegar de estaca” na zona. Ainda assim, mostra-se mais preocupado com a vespa crabro, que é ‘portuguesa’ e está adaptada às condições climáticas da região.

VILARINHO, BRAGANÇA

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