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Prada, Vinhais

Até o galo queria ir visitar o moinho

Foram alguns aqueles que quiseram visitar o moinho. Foto © Rúben Castanheiro
Foram alguns que quiseram visitar o moinho. Foto © Rúben Castanheiro

Em Prada, no concelho de Vinhais, no dia 7 de abril, pelas 10h, cerca de meia centena de pessoas calçaram os botins para ir visitar o moinho de água, que dá pão aos habitantes e comida aos animais. Esta iniciativa teve a colaboração da Associação Cultural e Recreativa de Prada, da Tarabelo, associação que se dedica a várias causas no concelho, e das juntas de freguesia de Tuizelo e de Vila Verde.

A tradição impõe que uma senhora leve o burro com as albardas, de forma a tornar a caminhada mais próxima das que se faziam no passado. Este ano não foi exceção. E até um galo saltou da capoeira, com a esperança de alguém o levar a visitar o moinho. Mas os únicos que tiveram essa sorte foram os amigos de “quatro patas”, acompanhados pelos donos. A chuva deu tréguas e nem a lama ou as constantes poças de água que se encontravam na vereda impediram a meia centena de caminhantes de chegar ao moinho. Chegando lá, puderam observar como se ativavam as mós e presenciar o processo de moagem. O “cubo” estava cheio, demonstrando a abundância dos caudais de água que se notam em terras de Montesinho.

Sara Riso, 38 anos, é uma das animadoras desta iniciativa e a sua principal impulsionadora. Pertence à Associação Tarabelo e é bióloga de formação. Atualmente, tem um rebanho de ovelhas para produção de leite. Mudou-se de Lisboa para a Aveiro para estudar e depois para Vinhais, há cerca de 12 anos. Mudanças sempre motivadas por “razões profissionais”. “A Tarabelo surgiu da vontade de um grupo de pessoas que, chegando ou vivendo no território, perceberam que no concelho de Vinhais havia um certo défice de atividades”, explica Sara.

A associação tem ainda participação ativa em projetos de conservação da natureza. Um deles é o de introduzir tecnologia, ligada à robótica, nos moinhos de água tradicionais, para assim poder adaptá-los às alterações climáticas. Está em fase de aceitação de candidatura e tem o apoio do Instituto Politécnico de Bragança. “O objetivo é voltar a dar vida aos moinhos de água, ressignificá-los, repensá-los, para que possam voltar a trabalhar e deixem de ser abandonados, de desaparecer, uma vez que a força hidráulica é uma energia totalmente limpa”, continua.

Sara Riso, uma das figuras da Tarabelo. Foto © Rúben Castanheiro
Sara Riso, uma das figuras da Tarabelo. Foto © Rúben Castanheiro

Ana Tomás, 36 anos, engenheira florestal, é uma das responsáveis da Associação Cultural e Recreativa de Prada. Tal como Sara, veio de Lisboa, há cerca de 13 anos, mas só se conheceram em Vinhais. O seu objetivo era “não ficar pela capital” e agora vê a associação como uma força para que “continue a haver vida na aldeia”, através deste tipo de atividades que juntam as pessoas e concretizam a vontade de que “as próprias pessoas de Prada” sintam a associação como sua.

Para Ana, esta iniciativa é o ex-libris da associação, aquela de que mais se orgulha: “conseguimos convencer as pessoas a vir até ao moinho e a relembrar, ou conhecer pela primeira vez, como ele trabalha e a vida que tem”.

Ana Tomás, uma das figuras da Associação Cultural e Recreativa de Prada. Foto © Rúben Castanheiro
Ana Tomás, uma das figuras da Associação Cultural e Recreativa de Prada. Foto © Rúben Castanheiro

Francisco Dias, de Vila Verde, tem 72 anos e “nasceu, cresceu e continua a viver” sempre ligado à agricultura. Juntamente com outros homens da aldeia, é um dos responsáveis pela manutenção do moinho e um dos que o continua a usar. A moenda, que tanto pode significar a peça ou o trabalho de moer, guarda segredos, que se desvendam com a experiência do trabalho, como os ajustes da pedra. “Se for para demonstração, não é necessário fazer grandes ajustes. Mas se quisermos farinha de qualidade ‘perfeita’, esses ajustes terão mesmo de ser feitos”, explica Francisco. E assim será… o moinho ainda irá moer muito grão até ao próximo ano, com esperança de voltar a receber visitas na próxima caminhada que acontecerá em abril de 2025.

Francisco Dias, um dos agricultores da freguesia. Foto © Rúben Castanheiro
Francisco Dias, um dos agricultores da freguesia. Foto © Rúben Castanheiro

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