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133 lobos em 28 anos

Atropelamento é a primeira causa de morte do lobo-ibérico

Atropelamento é a principal causa de morte do lobo ibérico em Portugal. Foto © João Ferreira

O atropelamento (30%), o laço (20%) e o tiro (19%) foram “os maiores responsáveis pela causa de morte do lobo em Portugal entre os anos 1995 e 2023”, resume a plataforma Lobo Ibérico, que tem como missão “melhorar o conhecimento da sociedade sobre a espécie” e “sensibilizar para a importância de proteger este predador ameaçado”.

No âmbito do Sistema de Monitorização de Lobos Mortos (SMLM) desenvolvido pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), “entre 1995 e maio de 2023 foram recolhidos 133 lobos mortos em território nacional, correspondendo a uma média de quatro a cinco animais por ano”, número que se tem mantido mais ou menos constante na última década, depois de ter alcançado o máximo de 10 lobos mortos em 2004.

A mesma entidade acrescenta que “os lobos foram recolhidos em toda a área de distribuição da espécie, mas proporcionalmente em maior número na região Noroeste e a sul do rio Douro”. A plataforma justifica o maior número de animais recolhidos naquela área geográfica com “a existência de um maior conflito, resultante da predação no gado (em particular, na região noroeste), ou da presença de mais projetos de investigação e monitorização, permitindo aumentar a deteção de lobos mortos”.

Assim, os dados reunidos até meados de 2023 permitem aferir que “o atropelamento foi a causa de morte mais detetada, seguida das armadilhas de laço e do tiro”, mas também, embora em muito menor número, “do veneno, das doenças, incluindo doenças infecciosas e parasitoses, e da interação com outros animais, incluindo a agressão por outros canídeos”.

Sobre o futuro desta espécie protegida, a plataforma indica que vai “depender de uma possível coexistência pacífica com o ser humano”. Adverte, no entanto, que “essa realidade nem sempre é fácil de alcançar, não só devido às perceções e crenças negativas ainda associadas à espécie, mas também aos prejuízos, por vezes relevantes, que o lobo pode causar no gado, aumentando as dificuldades [económicas] daqueles que subsistem de uma atividade muitas vezes pouco valorizada”.

De referir que o lobo ibérico, uma subespécie que habita a Península Ibérica, conta com uma população atual de cerca de 2000 indivíduos. Todavia, de acordo com o Censo Nacional de 2019/2021 do ICNF, a norte do rio Douro existem, apenas, cerca de 250 lobos ibéricos. Os restantes habitam as regiões da Beira Interior.

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