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Escolas de Vila Pouca de Aguiar

“Brigada anti-Vespa Velutina” sai da escola para salvar as abelhas

Inês, Leonor e João fazem engodo à base de cidra e açúcar. Foto © Filipe Ribeiro

No laboratório de ciências da escola-sede de Vila Pouca de Aguiar 60 alunos do oitavo ano do Agrupamento de Escolas preparam armadilhas ou engodos para controlar o avanço da Vespa Velutina, espécie que “representa uma ameaça para a biodiversidade local ao predar abelhas e outros insetos, polinizadores ou não”. A iniciativa, segundo o docente Paulo Ribeiro, é “consciencializar a comunidade educativa sobre a presença desta espécie invasora”.

Os alunos estão divididos em três grupos e preparam nove armadilhas diferentes combinando ingredientes como fermento, açúcar, maçã, groselha, cidra, cerveja, vinho e vinagre, este último adicionado “para que o engodo não atraia abelhas”. Inês, Leonor e João têm, à sua frente, três garrafões de cinco litros onde primeiro depositam o açúcar e depois a cidra de maçã. Outros grupos fazem engodos à base de groselha e cerveja-preta, “com um aroma mais forte para atrair as vespas”. A solução é agitada para que se dissolva o açúcar, um trabalho que “entusiasma” porque “vai ajudar a controlar vespa asiática”.

Paulo Ribeiro, responsável pela disciplina de Ciências Naturais em Vila Pouca de Aguiar e em Pedras Salgadas, nas escolas do agrupamento local, refere que, para a dinamização da atividade, foi criada uma parceria com a Aguiarfloresta, uma associação ambiental que dá apoio técnico aos apicultores. Criou-se, depois o clube “Brigada anti-Vespa Velutina”, para a execução e montagem de armadilhas pelos alunos.

Paulo Ribeiro auxilia grupo com receita de cerveja, vinho e groselha. Foto © Filipe Ribeiro

“Estamos numa região apícola em que a presença da espécie invasora é uma ameaça para os enxames. Queremos, com esta iniciativa, sensibilizar e educar as crianças e ajudar a minimizar o problema”, explica o docente, que ao longo do ano letivo aborda a problemática das espécies invasoras.

Uma das formas de atingir esse objetivo é “capturar rainhas fundadoras, impedindo que os enxames de vespa asiática se instalem”, minimizando os impactos nos ecossistemas locais. “A remoção das rainhas é crucial para interromper o ciclo reprodutivo e limitar o crescimento da população. Sem rainhas para estabelecer novas colónias, a população geral da espécie pode diminuir ao longo do tempo”, esclarece Paulo Ribeiro.

A Vespa Velutina é uma espécie invasora que se pode espalhar rapidamente para novas áreas. A caça de rainhas é uma medida preventiva para proteger as colmeias e tentar aumentar a sobrevivência das abelhas, estas sim, essenciais para a salvaguarda da produção apícola (mel, pólen, própolis, etc.) e para a polinização de culturas.

Terminada a elaboração dos engodos, os grupos, acompanhados pelo professor responsável, por um técnico da Aguiarfloresta e por um apicultor, deslocaram-se para zonas onde é mais comum a presença da vespa asiática e instalaram as armadilhas em algumas árvores. Daqui por uns dias será possível perceber a eficácia da medida e “entender melhor a biologia, o comportamento e a distribuição desta espécie invasora”.

Alunos instalam armadilhas em zonas de presença da vespa. Foto © DR

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