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Festa da Galhofa

Caretos, máscaras e o charolo enchem as ruas de Arcas

Santo Estevão
As máscaras usadas pelos caretos de Arcas são inspiradas numa quase centenária ‘descoberta’ na região

O desfile dos caretos, o ritual das ‘galhofas’ e a procissão do charolo da igreja até à fogueira acesa no centro da aldeia marcaram, em Arcas, concelho de Macedo de Cavaleiros, o fim das festividades de Santo Estêvão. As máscaras usadas pelos caretos de Arcas são inspiradas numa, quase centenária, ‘descoberta’ na região com a ajuda da Academia Ibérica da Máscara.

Já os trajes dos caretos, explica António Tiza, presidente daquela academia, são semelhantes aos de Podence, mas com “algumas alterações, basicamente, nas franjas”, para que não se confundissem com aqueles. “As franjas daqui são vermelhas e cor-de-vinho. Há uma parte nas pernas, por baixo do joelho, que está sem franjas. A parte de trás do carapuço também é diferente. Sendo certo que, estas coisas, que são parte da tradição e da cultura popular, não são rigorosas. Foram evoluindo ao longo do tempo”, sublinha Tiza.

Nas festividades deste ano os caretos eram uma dúzia. “Temos a intenção de recriar esta tradição todos os anos” confessa o presidente do Núcleo de Costumes e Tradições de Arcas, Nélson Peixeiro, para quem “quantas mais vezes se repetirem estas tradições e quanto mais pessoas a elas assistirem, maior será o número dos que quererão participar como caretos”. Isso já é visível “nos que vêm repetidamente viver esta tradição connosco e que já se querem vestir de caretos”.

O Bispo da Diocese de Bragança-Miranda, Nuno Almeida, com os caretos. @Filipe Ribeiro

O desenho e toda a aparência das máscaras são inspirados numa máscara com mais de 80 anos, encontrada um pouco danificada depois de longa procura e investigação. “Conseguimos que um artesão nos fizesse uma réplica perfeita. É perfeita, mas é nova. É a que está a ser usada pelos caretos”, conta António Tiza com pena de não ter encontrado máscaras antigas em perfeito estado de conservação.

A Festa da Galhofa trouxe, este ano, o bispo de Bragança-Miranda, Nuno Almeida, a Arcas para presidir à missa dia 26 de dezembro, marcando, assim, o caracter misto – sagrado e profano – que caracteriza estas festas relacionadas com a passagem à fase adulta dos jovens e com a sua correspondente emancipação. A ‘galhofa’ é uma luta “entre caretos e ‘agarrantes’ que são pessoas da aldeia, que, por orgulho, querem desafiar e ‘tombar o careto’. Essas galhofas eram feitas no meio da rua, na lama, e foram pela primeira vez recriadas este ano” explica Nélson Peixeiro.

Outra função dos caretos é transportar o charolo da Igreja até perto da fogueira acesa numa das ruas da aldeia. O charolo é um andor em forma de pirâmide, coberto com roscas doces, que está relacionado com o culto do pão. É feito no dia 24 à noite e, na missa do Galo, dia 25 à meia-noite, tem de estar pronto na igreja. “É uma mistura do sagrado e do profano. Permanece na igreja até à manhã de Santo Estêvão e depois segue em procissão, transportado num carro de bois e puxado pelos caretos, até ao largo da aldeia. Da parte da tarde, dá origem a um leilão, em que as rocas são arrematadas, uma a uma, pelos participantes”, explica Peixeiro que recorda ainda outra tradição da festa: “os caretos recolhem o mel e o vinho da aldeia, depois fervem-nos num pote, com o brasume da fogueira, e distribuem a bebida a todas as pessoas que se encontrem no local”.

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ARCAS, MACEDO DE CAVALEIROS

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