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Desfile sai à rua no São Brás

Carranhosas antecipam Carnaval em Ribeira de Pena

Desfile das Carranhosas com centenas de figurantes, que arremessam farinha e confetes. Foto CM Ribeira de Pena

Ribeira de Pena já se vestiu a preceito para o tradicional Desfile das Carranhosas, um corso tradicional que lembra o Carnaval, mas que se realiza por ocasião do São Brás, no dia 3 de fevereiro. Trata-se de uma festa de inverno que junta mulheres de todas as idades, pintadas e mascaradas, que desfilam enquanto são ‘atacadas’ pelos homens com confetes, farinha e pó de arroz.

Basta sair à rua, por estes dias, em Ribeira de Pena, para ver algumas “carranhosas” espalhadas por rotundas e cruzamentos. Estão ali desde o início do ano para promover a festa que atrai milhares de pessoas à sede do concelho.

A tradição sempre existiu, mas foi interrompida por quatro décadas. Conta-se que, todos os anos, em fevereiro, na celebração do São Brás, as meninas solteiras se vestiam com os melhores fatos para irem à missa em honra do santo, logo pela manhã. Os rapazes, que vinham das aldeias para ver as meninas e, quem sabe, “arranjar namoro”, juntavam-se para fazer algumas partidas. “Às senhoras viúvas, que estavam vestidas de preto, por uma questão de respeito, não faziam nada, mas às mais novas arremessavam cinza das lareiras e pó de arroz. Os rapazes faziam esse jogo para se meterem com as raparigas”, conta Daniel Carvalho, presidente da Junta de Freguesia de Salvador e Santo Aleixo d’Além Tâmega, entidade que promove a iniciativa desde que foi retomada, em 2015.

Numa altura em que os invernos eram rigorosos, em que “chovia muito e fazia muito frio”, as raparigas, “que se tinham arranjado muito bem para ir à vila”, enchiam-se de cinza e, depois de encharcadas, ficavam com um aspeto medonho, muito sujo e feio, “daí o serem apelidadas de ‘carranhosas’”.

Carranhosas saem à rua no dia de São Brás. Foto CM Ribeira de Pena

Na época, os rapazes não usavam máscaras, mas “era comum usarem rendas, para que não lhes vissem a cara”. Atualmente, todos se mascaram, ou usam trajes, e acompanham os carros alegóricos, puxados por juntas de bois. A cinza também deu lugar à farinha, porque antigamente ninguém desperdiçava a farinha que “era bem mais cara e necessária para fazer o pão”. “Os desfiles têm habitualmente muitas pessoas, alunos das escolas, gente das associações culturais, das instituições particulares de solidariedade social e de outras instituições”, refere Daniel Carvalho que conclui: “entre novos e velhos, toda a comunidade ribeira-penense está representada”.

O ponto forte da festa é, também, a gastronomia típica. O programa de sábado inclui o almoço típico de São Brás, com o caldo de farinha, orelheira cozida e a partilha de pão benzido. Ao longo do fim de semana, há bancas de produtores locais e são confecionados pratos típicos da região, com os milhos ricos de Ribeira de Pena a ganhar maior destaque. “Ao todo, servem-se cerca de 500 a 600 refeições, além dos restaurantes que também aderem”.

Este ano, a festa de inverno de Ribeira de Pena começa na sexta-feira, dia 2 de fevereiro e prolonga-se até domingo. A celebração do São Brás é no sábado, dia 3, com o Desfile das Carranhosas.

No almoço de sábado serão servidas 500 ou 600 refeições. Foto CM Ribeira de Pena
Monumento em honra de São Brás e das Carranhosas. Foto Filipe Ribeiro

 

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