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Baixo Sabor

Depois de décadas, aí está a barragem de Gebelim

A barragem da Estevaínha, uma das principais fontes de regadio de Alfândega da Fé. Foto © DR
A barragem da Estevaínha, uma das principais fontes de regadio de Alfândega da Fé. Foto © DR

A barragem de Gebelim, em Alfândega da Fé, vai custar perto de 25 milhões de euros e encontra-se, finalmente, em construção. A barragem irá servir o regadio do planalto de Vilarchão e de Parada. Atualmente, o concelho conta com quatro barragens destinadas ao regadio: a Estevaínha, a do Salgueiro e Burga, no Vale da Vilariça, partilhada com os concelhos de Vila Flor e Torre de Moncorvo, a de Camba e a da Santa Justa. 

“Alfândega de Fé é um concelho com bastante tradição de regadio” – reconhece Eduardo Tavares, 48 anos, bacharel em Gestão Agrícola e presidente da câmara municipal de Alfândega da Fé, em entrevista ao 7MONTES. Desde a década de 60 do século XX que o concelho tem vindo a impulsionar a criação do regadio e a partir da década de 70 a área de regadio serviu para exploração de um dos principais frutos da região: a cereja. 

O Aproveitamento Hidroagrícola de Alfândega da Fé (AHAF) tem como objetivo realizar obras de drenagem, de enxugo e de defesa dos terrenos utilizados na agricultura para canalizar águas de domínio público para rega. Situa-se na freguesia de Alfândega da Fé, concelho de Alfândega da Fé, distrito de Bragança. O AHAF é gerido pela Associação de Beneficiários e Regantes de Alfândega da Fé (ADRAFE), constituída em fevereiro de 2014 e concessionária da exploração e conservação deste empreendimento que reúne os regantes beneficiários situados no perímetro beneficiário definido pela Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR), com competências legais de conservação das obras de fomento hidroagrícola. A ADRAFE beneficia de uma área de 275 hectares a partir da água da albufeira criada pela barragem da Estevaínha.

“A associação não teve um papel ativo na construção da barragem, porém, juntamente com a edilidade, tem vindo a apresentar às entidades competentes soluções de reserva de água que abunda na Serra de Bornes, outrora conhecida por Serra de Monte-Mel, para os próximos anos, tendo em conta os indicadores da União Europeia em matéria de escassez de água, com previsão de futuros anos de seca”, conta o presidente da direção da associação, Gabriel Martins. 

A Estevaínha tem mantido cota suficiente para fornecer mais água para rega do que a atualmente utilizada pelos agricultores, mas, para se poder usar toda essa disponibilidade é necessário investir no sistema de regadio. Investimento tão mais necessário quanto as alterações climáticas – menor pluviosidade e aumento da temperatura média – fazem prever o crescimento da necessidade de intensificar a rega para manter as culturas de regadio.

“As medidas do PDR 2020 foram um contributo para os regadios, aliás, a ADRAFE apresentou um projeto que foi aprovado e se encontra na fase dos procedimentos contratuais, para automação e telegestão do regadio de Alfândega da Fé”, refere ainda o responsável pela associação dos beneficiários. Ao todo, irão ser investidos mais de 40 milhões de euros na requalificação dos regadios e na construção de novas barragens. Essa decisão foi tomada pelo estado em que se encontrava o regadio. “Houve a necessidade de reabilitar alguns regadios, entre os quais o da Estevaínha, da Camba e o da Vilariça”

“Até 2025, o nosso objetivo é duplicar a área de regadio do concelho, passando dos 1000 hectares para os 2000 hectares”, diz Eduardo. 

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