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Assembleia sinodal em Vila Real

Diocese quer ouvir jovens e imigrantes para perceber como estão a ser acolhidos

É já no próximo domingo, 25 de fevereiro, que a assembleia sinodal diocesana de Vila Real reúne para preparar a síntese a enviar à Conferência Episcopal Portuguesa como contributo para a assembleia geral do Sínodo sobre a sinodalidade que terá lugar em Roma no início de outubro. Escutar o sentir dos jovens e dos imigrantes foram duas preocupações presentes no processo de auscultação desenvolvido este ano.

O Padre Márcio Martins é o coordenador diocesano para o Sínodo. Foto © Filipe Ribeiro

Perceber “como os jovens olham, hoje, para a Igreja” e “saber como estão a ser acolhidos” os imigrantes que chegam ao distrito, são duas das interrogações que o padre Márcio Martins, coordenador da equipa sinodal da diocese, espera que tenham sido respondidas através do processo de escuta que culminará no próximo domingo, a partir das 15h00, no Seminário de Vila Real.

Membros do conselho pastoral diocesano, vários leigos representantes dos grupos que reuniram nos arciprestados, padres, religiosos e religiosas juntam-se ao bispo, António Augusto Azevedo, para um encontro de partilha do percurso realizado desde o início do ano. Nele vão estar presentes as sínteses dos diversos grupos, movimentos e instituições da diocese que foram recebidas até 18 de fevereiro e serão retomadas na síntese final que será concluída no próximo mês.

Às instituições “com maior dimensão caritativa”, foi pedido que realizassem um trabalho mais próximo das comunidades migrantes, independentemente da sua origem e convicção. “Importa saber, acima de tudo, como estão a ser acolhidos”, refere o Padre Martins, recordando que, recentemente, a Cáritas recebeu pedidos de ajuda de um grupo de duas dezenas de migrantes. “A Igreja tem a missão de saber acolher, independentemente do credo, da raça, da cultura e das convicções religiosas… é importante sabermos acolher todos”, reitera.

Márcio Martins acrescenta que este Sínodo tem, inclusive, o propósito de ouvir pessoas de outras religiões, para que a Igreja se possa ver ao espelho, “mas num sentido mais verdadeiro”.  “Quando temos em conta pessoas de outras religiões, até mesmo os ateus ou agnósticos, devemos pensar como eles olham para nós, que caminho fazemos para nos aproximarmos deles. O fim da Igreja é evangelizar, mas também é o de caminharmos juntos com o mundo, de mãos dadas. Para conflitos já basta os que há” – sublinha o coordenador da equipa sinodal.

Sobre a juventude, o importante é saber localmente “como os jovens olham, hoje, para a Igreja”, principalmente após a realização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em Lisboa: “O Papa Francisco quer envolver todos. Quando, na JMJ, ele falou em ‘todos’, referiu uma palavra já fazia parte do Sínodo”, lembra.

Seminário de Vila Real
Assembleia Diocesana é no dia 25 de fevereiro, às 15h, no Seminário de Vila Real. Foto DR

Sínodo: “uma oportunidade de dar passos efetivos de renovação”

O pároco das comunidades de Mouçós e Lamares, no concelho de Vila Real, lembra que Igreja, enquanto instituição eclesiástica, “tem uma orgânica hierárquica que é importante em qualquer organização”, mas isso não impede que “as decisões possam ser mais democráticas”, no sentido de “chamar as comunidades à participação”. É esse caminho que Igreja Católica iniciou, em 2021, com o Sínodo sobre a sinodalidade, uma “oportunidade de dar passos efetivos de renovação” em que o mais importante “é processo”, pois não importa tanto “o resultado concreto, mas sim o caminho percorrido”. “É um processo novo, as pessoas ainda não estão completamente abertas a participar. Na história da Diocese, nas 264 paróquias que a compõem, nunca houve, por exemplo uma verdadeira auscultação de como a paróquia deve ser. Este processo ajudou-nos também a nós, párocos.  O Sínodo ajudou-nos a criar processos internos importantes dentro das comunidades. O objetivo também é esse” – conclui.

Em todo o caso, Martins acrescenta que neste processo “houve uma mudança de paradigma importante”, uma vez que, normalmente, “o sínodo só reunia os bispos”, embora em anteriores sínodos já existisse um “processo de auscultação da Igreja Universal, que, no entanto, se resumia a obter respostas a inquéritos enviados para as dioceses”. Ao convocar o Sínodo sobre a sinodalidade, o Papa Francisco abriu um processo muito diferente, quis a participação de todo o povo de Deus, insistiu em que todos tivessem direito a falar e a ser ouvidos e que as suas vozes chegassem à assembleia geral de Roma em que pela primeira vez participaram leigos e leigas com direito de voto.

Na verdade, considera o Padre Martins, a mudança já se tinha iniciado em 2018, quando se realizou um inquérito aos jovens, “mais voltado para o digital”. Agora, este Sínodo sobre a sinodalidade, que significa caminhar juntos, “é mais sobre o modo como caminhamos juntos, sobre a forma como a Igreja vive, verdadeiramente, o caminhar juntos e implica escutar, para que as decisões sejam tomadas de uma forma o mais colegial possível”.

O padre Márcio Martins espera que a participação seja agora maior do que verificada em 2022, ano em que foram envolvidas cerca de duas mil pessoas, o que corresponde a 1 por cento da população do distrito de Vila Real (cerca de 200 mil habitantes). “Na altura confesso que fiquei um pouco desapontado. Pareceu-me pouco. Mas quando vimos os resultados a nível nacional e internacional, verificámos que a percentagem [noutros contextos] foi semelhante”.

Após a primeira fase de auscultação das comunidades cristãs de todo o mundo, que decorreu desse o final de 2021 até meados de 2023, teve lugar em Roma, em outubro do ano passado, a XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, da qual resultou um relatório de síntese, com o título “Uma Igreja Sinodal em Missão”.

No passado mês de dezembro, o secretariado-geral do Sínodo enviou orientações às dioceses sobre os passos a dar nos próximos meses na preparação da assembleia do mês de outubro. “Trata-se de orientações com um verdadeiro roteiro, em que o aprofundamento da sinodalidade em chave missionária e o alargamento das experiências de sinodalidade a nível local são as pedras angulares sobre as quais as comunidades locais são chamadas a refletir”, lembrou no início deste ano a equipa da diocese no comunicado com que pretendeu relançar a dinâmica do Sínodo.

Esta fase está a desenrolar-se a nível das Igrejas locais até ao mês de março e destina-se a aprofundar alguns aspetos do relatório de síntese e a alargar as experiências de sinodalidade. “Não se trata de começar do zero ou de repetir o processo que caracterizou a primeira fase, mas de suscitar nos vários órgãos de participação a nível diocesano, nas comunidades e grupos, um aprofundamento acerca do ‘como’ aplicar algumas das propostas referidas no Relatório”, escreveu o bispo da Diocese de Vila Real, na comunicação emitida em janeiro deste ano. Nela acrescentava: “Tomando parte neste caminho sinodal de toda a Igreja, estaremos, como diocese, a ‘caminhar juntos e a renovar a esperança’, a construir uma Igreja mais viva, mais participativa, com um rosto mais acolhedor e um espírito de maior comunhão e fraternidade.”

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