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Artesanato

Do IC5 a Vila Flor: a rota de quem sabe fazer

Albertina Camelo, a mais recente artesã de Vila Flor na rota. Foto © DR
Albertina Camelo, a mais recente artesã de Vila Flor na rota. Foto © DR

Jorge Órfão [ ver 7MONTES ] foi o último artesão a entrar para a Rota Saber Fazer. Mas, são vários os artesãos que fazem parte desta rota. No concelho de Vila Flor são quatro. Desde trabalhos de tear às bonecas de pano, passando pela bijuteria e pela tanoaria, assim se dividem os afazeres destas senhoras e senhores que “aprenderam a fazer”. O 7MONTES foi descobrir como as mãos destes artesãos, trabalham a lã e a ráfia e moldam peças de artesanato.

A viagem começou com uma visita a Albertina Camelo, em Santa Comba da Vilariça, sítio no qual tem instalado o seu atelier, onde constrói e ensina a trabalhar com o tear, a fazer bordados à mão e a pintar figuras, sobretudo ligadas à religião. Albertina teve um pequeno contratempo com os documentos e por isso integrou a rota um pouco depois que os outros artesãos. Mas isso não a fez perder a vontade de participar.

O seu trabalho mais inovador são as bonecas, feitas com os restos da lã que sobra do tear. “Gosto de todo o artesanato. Gosto de pegar numa peça à moda antiga e inová-la para os tempos modernos”, diz Albertina que, em relação à formação que oferece encontra sempre “bastante gente interessada em participar”.

Os tapetes feitos em lã, por Albertina. Foto © Rúben Castanheiro
Os tapetes feitos em lã, por Albertina. Foto © Rúben Castanheiro

O grande problema para ela começa a ser a escassez de lã de ovelha. “Hoje em dia é muito difícil arranjar lã de ovelha, porque os pastores, como a lã não é bem paga, estão a desfazer-se dela, a enterrá-la. Por isso, a pouca que há está a um preço muito elevado. Eu estou a utilizar lã que comprei há vários anos, na Guarda”. A solução adotada para resolver um eventual desaparecimento de lã de ovelha é usar outros materiais alternativos, como, por exemplo, o linho”.

Prosseguindo a viagem, o 7MONTES fez um desvio até Vila Flor, a capital do concelho. É lá que se encontram Paula Martinho, 62 anos, desempregada, que se dedica a fazer bonecas de pano, rendas e crochês, e Francisco Taveira, que se dedica à arte da tanoaria. Paula conta ao 7MONTES ter entrado na Rota Saber Fazer “por intermédio da câmara municipal” e, até agora, está muito satisfeita, porque é uma “mais-valia para divulgar o trabalho” que ela vai realizando.

Paula Martinho, uma das artesãs da Rota Saber Fazer. Foto © Rúben Castanheiro
Paula Martinho, uma das artesãs da Rota Saber Fazer. Foto © Rúben Castanheiro

Paula já anda nesta vida de artesanato há mais de 20 anos, mas o gosto por fazer bonecas vem desde criança: “A minha mãe precisava da minha companhia e, como não podia brincar tão livremente como as outras crianças, dedicava o meu tempo a fazer roupinhas para as bonecas”. Foi assim que começou e ainda hoje sente que criar as bonecas “é uma terapia e um alívio” porque a faz esquecer-se de todos os problemas que possam existir.

Integrar a rota veio dar “maior visibilidade” às suas peças feitas com tecidos, algodão e malha, de tal modo que reconhece: “Ultimamente tenho tido muita procura, sobretudo desde que comecei a expor e entrei para rota. Pode não ser um sustento, mas, ao menos, serve para as pessoas saberem e verem o que se fazia antigamente e ficou esquecido”.

As bonecas de Paula, que tem feito algum sucesso pela região. Foto © Rúben Castanheiro
As bonecas de Paula, que tem feito algum sucesso pela região. Foto © Rúben Castanheiro

Por último, o 7MONTES foi ao encontro de Bruno Pires, 45 anos, que é agricultor e artesão em Freixiel. Bruno também já anda no artesanato há muitos anos. Desde esculturas e pinturas a bijuterias, máscaras feitas de ráfia ou peças derivadas da madeira, o seu trabalho varia, conforme aquilo que encontra durante o seu trabalho agrícola.

Bruno Pires, o artesão que usa a ráfia e os sobrantes agrícolas. Foto © Rúben Castanheiro
Bruno Pires, o artesão que usa a ráfia e os sobrantes agrícolas. Foto © Rúben Castanheiro

“Muitas vezes utilizo restos de sobrantes agrícolas, para fazer as minhas peças, como, por exemplo, fiz uns rosários com caroços de azeitonas. O que eu faço não é reciclagem, é reutilização”, sublinha, para depois imaginar o futuro: “Se tivesse a oportunidade de dar formação, eu ensinava, porque já me imagino a fazer de tudo”.

Ao todo, são perto de 15 artesãos que compõem esta Rota Saber Fazer e que ensinam e continuam a fazer aquilo que gostam, através da iniciativa da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana, composta pelos concelhos de Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Macedo de Cavaleiros, Mirandela e Vila Flor.

A bijouteria é o "prato" forte de Bruno. Foto © Rúben Castanheiro
A bijouteria é o “prato” forte de Bruno. Foto © Rúben Castanheiro

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