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Vila Flor

Ela é Abril: o espetáculo que dá vida ao associativismo

No âmbito das comemorações do 25 de abril, o município de Vila Flor, pelo segundo ano consecutivo, desafiou as associações do concelho a interligarem-se entre si, num espetáculo que dá vida ao associativismo e que terá lugar às 21h00 de dia 24 de abril, no Auditório Adelina Campos.  O espetáculo teatral é composto por uma sequência de curtos quadros dramáticos, intervenções musicais, declamação de poemas e leitura de notícias da época, criados e apresentados por membros das diversas associações do concelho.

Ela é Abril é o mote deste espetáculo centrado nos temas relacionados com a emancipação da mulher e a repressão de que era vítima antes do 25 de Abril. Além disso, é também o refrão da música com que teatro de inicia, música cantada pelo grupo ComCordas com Arte, adaptando a música Casa, dos D.A.M.A.

José Cordeiro, o "idealista" deste evento. Foto © Rúben Castanheiro
José Cordeiro, o “idealista” deste evento. Foto © Rúben Castanheiro

O pioneiro da iniciativa, José Cordeiro, 41 anos, professor de música, refere, ao 7MONTES, que este evento é “tem uma importância especial”, não só por este ano se comemorarem os 50 anos do 25 de abril, mas também por ser uma “forma de união entre associações”.

“Acima de tudo, o importante é juntar as pessoas e conseguir que convirjam todas no mesmo sentido. Aconteceu assim no ano passado. No fundo, criamos uma atividade comum a todos que permite partilhar aquilo que cada um tem de melhor”, diz Cordeiro.

Um aspeto positivo é o facto de o número de associações participantes ser, este ano, maior, o que demonstra um maior dinamismo e o interesse de todas as áreas associativas de Vila Flor. O lado negativo é que o número de participantes será menor. “O objetivo não é ser melhor ou pior do que o ano anterior, mas sim fazer-se diferente”, sublinha o animador para quem as expectativas já eram “boas”, mas depois do ensaio de domingo, ficaram “ainda melhores”. Nesse ensaio, em que se alinharam os últimos pormenores para a noite de 24 de abril, a centena de participantes pôde sentir, observar e assimilar a natureza e os propósitos do acontecimento.

Carina Ferreira, a representante da câmara municipal no ensaio geral de domingo. Foto © Rúben Castanheiro
Carina Ferreira, a representante da câmara municipal no ensaio geral de domingo. Foto © Rúben Castanheiro

“Conseguimos reunir associações de diferentes quadrantes, desde culturais, desportivas e recreativas num só espetáculo, o que acaba por ser mais-valia”, diz Carina Ferreira, secretária do presidente da Câmara Municipal de Vila Flor, que acompanhou o ensaio geral de um projeto que o município apoia e acarinha por o julgar de “extrema importância para o concelho”.

“Os ensaios são poucos. É praticamente um só ensaio e, pronto, está-se a atuar no palco. É uma aventura. Mas se as associações tiverem todas o mesmo objetivo, o espetáculo corre sempre bem”, acrescenta Carina interessada em que se “melhore de ano para ano” e, sobretudo que todos anos cresça o número de associações participantes.

Quem também tem um papel importante no desenrolar do espetáculo é Clotilde Morais, 72 anos, natural de Campo Maior e que viveu em Lisboa durante a maior parte da sua vida. Veio para Vila Flor depois de reformada, porque o seu marido, natural do concelho, sempre alimentou o desejo de viver a reforma em solo transmontano.

Clotilde está encarregue da encenação, tal como no ano passado, mas este ano com uma novidade. O teatro não será somente representado pelas pessoas da Associação Transmontana Pelo Desenvolvimento (ATPD) e da Associação Cultural de Samões, como também por membros de outras associações.

“Através de pequenos sketches, os grupos representam vários quadros, para lembrar os direitos que a lei negava” . E Clotilde sabe bem o que foi viver sem direito à liberdade de expressão, ou de associação porque ainda se lembra de como participou nas lutas estudantis durante a ditadura e recorda-se da explosão de liberdade provocada pelo 25 de abril. E dá outros exemplos: “antes da revolução, a mulher não tinha sequer direito a abrir uma carta, tinha de ser o marido a abrir!” Este ano, a encenação do espetáculo foi um bom desafio porque lhe permitiram que “ninguém constrói nada sozinho”.

Clotilde Morais, a mulher que se expressa pelo teatro. Foto © Rúben Castanheiro
Clotilde Morais, a mulher que se expressa pelo teatro. Foto © Rúben Castanheiro

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