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Chuva intensa na Primavera

Elevada precipitação gera preocupação com fogos rurais no verão

Barragens da região Norte com armazenamento acima dos 80%. Foto da Barragem Cimeira do Alvão. DR

A intensa precipitação atmosférica provocada na sequência da depressão Nelson deixou as albufeiras do Norte do país com um volume de água acima do habitual para a época. Esta boa notícia tem como contraponto o atraso no lavrar dos campos e a preocupação com o crescimento da carga combustível nas matas e florestas, condições ideais para a propagação de fogos violentos, caso os proprietários não procedam à sua limpeza.

Na bacia hidrográfica do Douro, o nível de armazenamento das albufeiras situa-se nos 88 por cento, mais 14 pontos percentuais do que a média registada pelo Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH) desde 1990. Este ano, o acesso aos recursos hídricos pode estar garantido na maior parte das regiões do país, no entanto, o cenário pode mudar no curto prazo, principalmente no Sul (Alentejo e Algarve). Nestas regiões os elevados consumos de água na atividade agrícola e pecuária, turismo e outras, podem vir a mostrar que a moderada precipitação atmosférica registada não seja suficiente para fazer face a esses consumos.

A chuva intensa é uma boa notícia no que respeita ao armazenamento de água, mas do ponto de vista da agricultura, “a precipitação anormal para a época não tem permitido lavrar os campos”, confirma ao 7MONTES Armando Pacheco, que preside à Federação Nacional das Cooperativas de Produtores Florestais (Fenafloresta), que integra a CONFAGRI.

O engenheiro agrónomo mostra-se preocupado, não só com o atraso nos tratamentos e plantações agrícolas, que já deviam ter começado, mas também com “as condições de temperatura e humidade que favorecem o crescimento da carga de combustível” em matas e florestas. “O problema, neste momento, não se prende com a falta de água, mas sim com o excesso dela que vai propiciar o crescimento do material vegetal e lenhoso”, refere.

Armando Pacheco defende, por isso, que os proprietários mantenham os terrenos limpos “para que no verão não sejamos surpreendidos pelos fogos”. “Depois da primavera, os dias vão continuar a crescer, vão ficar mais quentes, e o excesso de humidade no solo, associado ao calor, pode criar as condições ideais para o aparecimento de incêndios”, acrescenta.

O presidente da Fenafloresta salienta, por fim, que a retenção dos recursos hídricos é importante para o abastecimento de água de populações e produções agrícolas, mas também para o combate aos incêndios. “Ao instalarmos pontos de água em zonas de difícil acesso, como na montanha, estamos a facilitar o combate aos fogos”, finaliza.

 

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