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Estudantes estrangeiros colocam à prova dotes gastronómicos no International Day

Lúcia e Teresa são de Luanda e prepararam pratos tradicionais de Angola. Foto © Filipe Ribeiro

Por estes dias, as bancadas do Kitchen Lab (cozinha laboratorial) da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) têm sido território de tradições gastronómicas e partilhas interculturais. Ao todo, estão a ser produzidas 45 receitas (entradas, pratos e sobremesas), originárias de 23 países, confecionadas pelas mãos dos estudantes estrangeiros, na terceira edição do International Day, uma iniciativa que cruza sabores e saberes globais no campus de Vila Real.

“Conhecemos pessoas de muitos países, é muito interessante”, diz Lúcia Miguel, de 22 anos, natural de Luanda (Angola), que estuda enfermagem em Vila Real. Com a ajuda de Teresa Bento, de 20 anos, estudante de engenharia e gestão industrial, está a preparar funge (à base de farinha de mandioca) com carne e muamba, além de feijão de óleo de palma, banana-pão fervida, vinagrete e farinha musseque para acompanhar. “Em Angola começamos bem cedo a cozinhar, logo aos 11, 12 anos”, acrescenta Teresa, também ela oriunda de Luanda, que iniciou os estudos universitários este ano.

Entre pratos e travessas encontramos Mércia Custema, de Moçambique, que estuda enologia. Foi a paixão pelos vinhos que atraiu a jovem estudante para a UTAD, mas hoje dedica-se exclusivamente aos bolos de feijão frade. “Dão muito trabalho, mas vale a pena… São muito bons!”, conta.

Estudantes indianos estão na UTAD a estudar desporto. Foto © Filipe Ribeiro

A presença de alunos angolanos, moçambicanos, guineenses e cabo-verdianos é notória, mas aqui não se fala apenas em português. Um grupo de três indianos, atualmente em Erasmus, alunos de mestrado internacional em análise da performance desportiva, que atrai, sobretudo, estudantes estrangeiros, está a preparar uma receita de frango tradicional asiática, que acompanha com arroz basmati. Ao lado, outro grupo, fluente em inglês, oriundo da Nigéria, prepara Frango Suya, que acompanha com arroz jollof. Os pratos vão sendo guardados, à medida que vão sendo terminados, e as bancadas vão sendo limpas e arrumadas para dar lugar a grupos de outras nacionalidades.

A miscelânea de pratos, aromas e iguarias será posta à prova mais logo, no restaurante panorâmico da UTAD, informa ao 7MONTES Luís Ramos, vice-reitor para a internacionalização, que vê no International Day “uma forma de partilha de saberes, sabores e culturas”, não só com os alunos estrangeiros, como também os nacionais.

“Com esta iniciativa, estamos a afirmar a vocação internacional de uma universidade que é multicultural e inclusiva”, defende o vice-reitor, numa academia que acolhe “mais de mil alunos de 55 nacionalidades”. E vêm de países tão diversos como o Paquistão, a Argélia e o Azerbaijão, mas principalmente do Brasil e dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

Além da dimensão gastronómica, que é harmonizada com os vinhos do Douro, o dia internacional da UTAD inclui, ainda, uma atividade artística dinamizada por Carlos Ortega García, estudante colombiano, integrada na exposição “Apilarnos”, que pode ser visitada no jardim “As Idades do Homem”.

Nesta 3ª edição do International Day, Moçambique é o país convidado, mostrando como a sua cultura tem ingredientes, ritos e tradições que resultarão em pratos típicos como a matapa e as Kitchen Labbadjias, e em jogos tradicionais como o M’pale e o Ntxuva.

Do Kitchen Lab saíram 45 receitas de 23 países. Foto © Filipe Ribeiro

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