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Dia Mundial do Teatro

Filandorra levou o diabo à rua em protesto pelo corte nos apoios do Estado

Em protesto, Filandorra encenou a peça O Cutelo de Adão. Foto DR

No Dia Mundial do Teatro, que se assinala a 27 de março, a Filandorra – Teatro do Nordeste levou o diabo à rua em protesto pelo corte do apoio da Direção-Geral das Artes, do Ministério da Cultura, para o quadriénio 2023-2026, para o qual a companhia se candidatou. “Trouxemos um diabo que dá pelo nome de Adão de Cutelo na Mão”, explica David Carvalho, diretor da Filandorra, em referência ao ministro da Cultura do anterior Governo, Pedro Adão e Silva.

A companhia de teatro lamenta que, num ano em que o Governo apresentou um excedente orçamental, os apoios para a cultura tivessem sido reduzidos, deixando de fora candidatura elegíveis como a da coletividade transmontana. “Os cofres públicos estão cheios, mas a nós cortaram-nos o apoio por quatro anos, no valor de 240 mil euros/ano, porque, segundo o ministro, ‘não havia dinheiro’”.

A Filandorra realizou em 2023 162 espetáculos e 78 oficinais de teatro, com uma assistência que superou os 35 mil espectadores. Possui uma rede de itinerância protocolada com três dezenas de municípios do interior Norte, que lhe garante a sustentabilidade da estrutura. “Estamos vivos porque Trás-os-Montes nos apoia, Lisboa esqueceu-se de nós”, disse David Carvalho ao 7MONTES.

Considerada a “maior empresa cultural do interior Norte”, a companhia de teatro conta com 11 trabalhadores efetivos e quatro colaboradores, “todos com os salários em dia”. “Só em 2023, as contribuições e impostos pagos ao Estado foram na ordem dos 70 mil euros”, acrescenta o diretor, enquanto os atores, vestidos de negro e com a boca tapada, assombrados pelo diabo, encenavam a peça O Cutelo de Adão.

Apesar do protesto realizado na Avenida Carvalho Araújo, em Vila Real, com laivos de Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente, a companhia fundada há quase 40 anos vai, para assinalar os 50 anos do 25 de Abril, realizar em abril 25 espetáculos por toda a região, em pouco mais de uma semana.

 

Novo espaço aberto à comunidade

A Filandorra abriu o Teatro Caixa, um novo espaço disponível na sua sede, em Vila Real, aberto à comunidade para demonstração de “performances artísticas, como teatro, música ou dança”. Os interessados deverão submeter o pedido através de formulário. Para marcar a abertura deste novo espaço cultural, a companhia estreou, no dia 26 de março, A Estranha Coincidência, uma adaptação livre do texto de Eugène Ionesco A Cantora Careca. O espetáculo teve lugar no interior de uma carrinha, no parque exterior do Teatro Caixa, para uma lotação de cinco pessoas, com sessões de 15 minutos.

“Trata-se de um espetáculo pequeno, num palco muito pequeno e sobre rodas”, explica a companhia de teatro, que mantém, em cena, nos próximos dias, A Estranha Coincidência, no “palco mais pequeno do mundo”.

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