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Bragança

Marron é a única loja especializada em castanha em Portugal

Os tons de castanho, não a deixam passar despercebida. Saltam à vista os produtos expostos na vitrine da loja. Quando se entra, não dá vontade de voltar a sair, tal é o cheirinho a castanha que por ali paira. Fica no coração de Bragança e está quase sempre repleta de gente. A primeira meia-hora do dia é para os clientes habituais. Tem várias prateleiras, recheadas com variadíssimos produtos. Além de loja, também é pastelaria, onde as pessoas adoçam o café com um miminho de castanha.

A loja Marron na primeira hora da manhã. Foto @Rúben Castanheiro
A loja Marron, na primeira hora da manhã. Foto @Rúben Castanheiro

A Marron vende produtos relacionados com a castanha e tem dado a conhecer múltiplos métodos de preservação da castanha, seja através de licores, da cerveja artesanal, oriunda de Carrazedo de Montenegro (Vila Real), dos marron glacés, fabricados fora do país, em Espanha e Itália, e das bolachas e madalenas da casa… de castanha, pois claro!

“Calibre, doçura, qualidade e poder de conservação”, por aqui se define o bom produto e se distingue a boa castanha da má. Para João Campos, proprietário da Marron, a castanha bragantina é imbatível naquelas quatro características e foi essa certeza que o levou a abrir a loja num concelho que era o maior produtor nacional, mas onde existia pouco investimento na sua preservação e transformação.  Os licores são um bom exemplo desse aproveitamento e aí estão na Marron como grandes impulsionadores do negócio, seguidos pela cerveja artesanal, os vinagres e por aí fora, todos com bom tempero de castanha da região.

A sua utilização na padaria e doçaria tem-se multiplicado e quem entra na loja dá conta da variedade da oferta: ao lado do pão artesanal de castanha, há bolachas, bolos, pastéis, compotas, tartes, madalenas e, claro, os célebres, mas estrangeiros, marrons glacés. Essa é a tristeza de João Campos: ainda não existem marron glacés “made in Portugal”. Tem de “os importar de Espanha, de França e de Itália”, porque “a maioria dos produtos de castanha à base de chocolate e açúcar, apesar da castanha ser nacional, são importados”.

Bolachas de castanha com o selo Marron. Foto @Rúben Castanheiro
Bolachas de castanha com o selo Marron. Foto @Rúben Castanheiro

E a castanha da Terra Fria é indiscutivelmente muito boa. Como refere a engenheira Ana Soeiro, num artigo na Confraria Ibérica da Castanha, a castanha da Terra Fria (Bragança e Vinhais), reconhecida como Denominação de Origem Protegida (DOP), distingue-se por uma “forma elíptica alongada, de cor castanha avermelhada, com muito boa aptidão para o descasque e compartimentação reduzida”. Em Trás-os-Montes há também outra castanha DOP, a da Padrela, que engloba os concelhos de Vila Pouca de Aguiar, Valpaços, Carrazedo de Montenegro, Murça e Chaves.

A Marron, fundada em 2019, é tida como a única loja portuguesa especializada em castanha e se não é a única, é, pelo menos, a primeira. Apesar de ter aderido ao sistema de venda à distância, investe na captação do movimento turístico que sazonalmente agita Bragança. Para tirar proveito da sua localização numa das ruas mais concorridas da cidade, além dos produtos da castanha, expõe artesanato local. Numa das montras laterais da loja criou um espaço próprio com artefactos típicos da região para chamar a atenção do pequeno museu temático que criou na cave e onde reúne, entre outros utensílios relacionados com a exploração da castanha, uma larga coleção de assadores.

Ver galeria completa:

Assadores de castanha de diferentes zonas do país. Foto @Rúben Castanheiro
Assadores de castanha de diferentes zonas do país. Foto @Rúben Castanheiro

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