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De 1 a 3 de março

Milhos ‘esfuçados’, ‘escornados’ e ‘esgravatados’ é em Ribeira de Pena

Milhos de Ribeira de Pena é destaque nos restaurantes aderentes. Foto © CM Ribeira de Pena

De 1 a 3 de março, quatro restaurantes do concelho de Ribeira de Pena propõem nas suas ementas pratos de milhos, uma receita com raízes culturais profundas que evoluiu ao longo do tempo e agora se apresenta nas variantes com carne de vaca (escornados), galinha (esgravatados), porco (esfuçados), e ainda a versão rica que incorpora diversos tipos de carne.

Atualmente, as receitas dos milhos transcendem a sua função meramente alimentar e estão transformadas em atração turística que, segundo a autarquia, “potencia a identidade local e enaltece a riqueza culinária da região”. A plantação de milho era, num passado não muito distante, uma prática comum entre os habitantes locais e para responder à escassez alimentar de então a refeição à base de milho moído tornou-se numa prática comum. Mas, de acordo com a autarquia, “os sabores tradicionais, agora aprimorados pela inclusão de diversas carnes, oferecem uma experiência gastronómica única e, desta forma, Ribeira de Pena, através da tradição dos milhos, continua a preservar esta importante herança cultural”.

 

Exposição recorda o ciclo do milho

Artigos da exposição sobre o ciclo do milho. Foto © Filipe Ribeiro

A propósito do fim de semana gastronómico dos milhos, o Museu Escola e Casa da Cultura de Ribeira de Pena tem patente, nos dias 1, 2 e 3 de março, uma exposição que remete para o ciclo do milho, com um conjunto de painéis informativos e miniaturas em madeira de alfaias agrícolas relacionadas com esta produção agrícola, da autoria de um artesão local.

A exposição recorda que o milho “é uma marca distintiva da paisagem local” e, possivelmente, a que maior área de cultivo ocupa no território concelhio. “Além de garantir o pão às famílias, o milho era um importante sustento dos animais domésticos”.

Nesse tempo, o milho, depois de desfolhado, era armazenado em canastros, enquanto aguardava a debulha e posterior farinação. A “construção simples” dos canastros “era, muitas vezes, coroada de pormenores de embelezamento na parte frontal, com datas de construção, cruzes ou relógios de sol”. Por fim, os moinhos, destinados à transformação dos grãos de milho em farinha, eram comuns nas zonas em que abundava água. “O engenho – refere-se no roteiro da exposição ­– era composto por duas pedras, ou mós, que pressionavam o cereal, acionadas pela força da água, que batia na roda”.

Nos longos serões em que se debulhava e desfolhava o milho, era comum ouvir algumas cantigas populares, como a que transcrevemos:

Ó Margarida moleira, / Tens moinhos a moer. / P’ra moer quem te quer bem, /Num tens pouco que fazer. // Ó Margarida moleira, / Amostra-mo o teu moinho. / Quero ver se ele trabalha, / Debagar ou ligeirinho.

As várias fases do milho em exposição. Foto © Filipe Ribeiro

 

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