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Em Chaves

Museu das Termas Romanas mostra dois mil anos de história

O Museu das Termas Romanas, em Chaves, foi inaugurado em dezembro de 2021. Foto © CM Chaves

Com mais de 160 mil visitantes em dois anos, desde a abertura oficial em dezembro de 2021, o Museu das Termas Romanas de Chaves é “o maior e mais bem preservado conjunto arqueológico termal da Península Ibérica” garante ao 7MONTES Rui Lopes, arqueólogo do município.

A cidade, fundada no ano 79 DC pelo imperador Titus Flavius Vespasiano, foi um importante ponto de paragem na via XVII entre Braga e Astorga, também por causa das águas mineromedicinais que nela brotam a 76 graus. Por isso, recebeu o prefixo Aquae como qualificativo garantindo que fazia parte do núcleo das cidades termais do império Romano.

Quase dois mil anos depois, as termas medicinais romanas de Aquae Flaviae foram descobertas, “por acaso”, em 2005, quando “decorria um estudo prévio no âmbito de um projeto de construção de um parque de estacionamento subterrâneo no Largo do Arrabalde, em frente ao tribunal”, elucida Rui Lopes.

A partir do momento em que se confirmou a existência de vestígios arqueológicos, a autarquia decide, em 2006, alterar a localização do parque de estacionamento e continuar com os trabalhos de escavação arqueológica. “Fez-se uma escavação e descobrimos uma piscina quase intacta. Desconhecíamos, por completo, a existência de um balneário tão bem preservado”, acrescenta o técnico, que apenas conhecia a passagem de uma muralha seiscentista “algures naquele local” próximo da Ponte Romana de Trajano.

Hoje, as termas medicinais romanas de Aquae Flaviae são “o mais importante complexo termal português, mas também um dos mais monumentais da Europa”. O museu, que expõe a cronologia deste sítio arqueológico, ao longo de dois mil anos de história, ainda preserva o sistema hidráulico original. “Se quiséssemos, ainda poderíamos banhar-nos nas águas termais deste balneário. O sistema hidráulico está em pleno funcionamento”, reconhece Rui Lopes.

O Ninfeu, um templo simples, inspirado no habitat natural das ninfas: as grutas. Foto © CM Chaves

Terramoto facilitou a preservação do espaço

O complexo termal, de cariz terapêutico, esteve em funcionamento, pelo menos até ao último quartel do século IV DC quando Chaves sofreu um violento terramoto que destruiu o edifício principal. O episódio, profundamente traumático para a cidade, acabou por proporcionar “condições excecionais para a preservação do balneário e de tudo quanto agora constituem os restantes achados”.

“As nossas termas estavam bem preservadas porque foram esquecidas no tempo e mantiveram-se intactas até hoje”, explica o arqueólogo. No decorrer das escavações, foram encontrados restos mortais de uma família que estaria a tomar banho no preciso momento em que a abóbada com dez metros de altura rui por completo.

Rui Lopes acrescenta que a particularidade deste balneário, que o torna raro, está ligada à existência de águas termais. Equipamentos termais desta natureza “só existiam no império Romano em cidades onde era possível encontrar, ou beneficiar, de águas mineromedicinais”.

Estamos perante um complexo termal de tipo terapêutico, que se distingue das termas comuns a todas as cidades romanas, tanto ao nível da forma como da função. Da parte do complexo balnear escavada, destacam-se duas grandes piscinas, alimentadas por nascentes termais, e outras de menor dimensão, em torno das quais se organizavam salas dedicadas a diversos tratamentos: banhos de imersão individuais, banhos por aspersão de água, tratamentos de vapor e massagens.

O balneário foi classificado como Monumento Nacional em 2012 e apenas é comparado, em termos de dimensões, às Termas Romanas de Bath (Inglaterra). O equipamento cultural foi candidatado, por Portugal, a Marco do Património Europeu e é, atualmente, o espaço museológico mais visitado do concelho.

O Balneário Termal de Aquae Flaviae possui duas piscinas. Foto © CM Chaves

Por ter sido financiado pelo Norte 2020, o acesso é gratuito durante cinco anos. No futuro, a autarquia pretende que os museus possam ser geridos de forma integrada, com um bilhete único que inclua, além do Museu das Termas, a visita ao Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, o Museu da Terra Flaviense, o Museu Ferroviário e a Torre de Menagem.

O Museu funciona de terça-feira a domingo, inclusive, e encerra todas as segundas-feiras e nos dias 1 de janeiro, Domingo de Páscoa, 1 de maio, 24 e 25 de dezembro. De outubro a março, abre das 09:30 às 13:00 e das 14:30 às 18:00; de abril a setembro, funciona entre as 10:00 e as 13:00 e das 14:30 às 18:30.

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