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Ligação aérea interrompida no início de março?

Negociação entre Governo e Sevenair “muito longe” de qualquer acordo

Ligação aérea que liga Trás-os-Montes ao Algarve em risco. Foto DR

O valor que o Governo avança para que a Sevenair mantenha a ligação aérea Bragança-Lisboa- Portimão a funcionar até ao resultado do concurso público internacional está “muito longe” dos mínimos que a companhia requer, soube o 7MONTEs junto de fonte da empresa que acompanha as negociações. A atual concessão termina no final deste mês.

Questionado pelo 7MONTES, o Governo, através da secretaria de Estado Adjunto e das Infraestruturas, respondeu “estar a trabalhar no sentido de acautelar que a rota em apreço não seja interrompida”, mas a Sevenair adianta que os valores apresentados não são suficientes para manter o avião no ar. “O Governo tem de nos dizer até onde quer chegar para manter a rota. Não somos nós que propomos o valor. O concurso público internacional ainda não foi lançado e por isso pode demorar entre seis e oito meses até ao vencedor do concurso começar a operar. Uma coisa é certa: à borla não vamos garantir a ligação” – adiantou ao 7MONTES Sérgio Leal, diretor de operações da Sevenair.

A fonte governamental referiu que a ligação aérea “consubstancia um fator de desenvolvimento económico e social”, promovendo a “coesão territorial” e contribuindo para “a aproximação das populações aos principais centros de negócio, de ensino e de lazer”. Assegura, por isso, estar “empenhado em manter esta ligação”, tendo incumbido a Autoridade Nacional da Aviação Civil de “apresentar uma proposta para o lançamento do novo procedimento em junho de 2023, e tendo ouvido os municípios envolvidos na rota atual e a atual concessionária”.

A ligação aérea entre Trás-os-Montes e Algarve, que une Bragança, Vila Real, Viseu, Cascais e Portimão, corre, assim, o risco de ser interrompida a 28 de fevereiro, data de fim do atual contrato de concessão [ver notícia]. A autorização para o lançamento do concurso público internacional, por um período de quatro anos, foi publicada em Diário da República, no entanto, a atual concessionária não aceita continuar a voar pelos valores atuais até à nova adjudicação, que pode demorar “entre seis e oito meses”.

Atualmente, a Sevenair realiza um voo por dia, durante seis dias, à exceção do verão, entre abril e outubro, em que voa duas vezes por dia. A indemnização compensatória é de 2,4 milhões de euros por ano, valor que a operadora considera insuficiente face ao aumento do custo dos combustíveis e da manutenção. Em 2009, quando a Sevenair começou a operar a rota, o valor anual pago pelo Estado rondava os 2,2 milhões de euros, porém, nesse período, os voos eram apenas entre Bragança, Vila Real e Lisboa, cinco dias por semana. Em 2023, a carreira aérea, que funciona com um avião com 18 lugares, transportou cerca de 13 mil passageiros. Com o diploma agora publicado, para uma concessão de quatro anos, até 2028, está prevista uma despesa até 3,75 milhões de euros por ano.

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