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Turismo na região demarcada

No Douro, os barcos Rabelo já circulam todo o ano

A navegação turística no rio Douro está hoje associada, principalmente, a grandes embarcações. Há, no entanto, pequenos barcos – os Rabelo – que em tempos idos transportavam o Vinho do Porto para a foz e agora levam os turistas a fazer pequenos trajetos. E já operam o ano todo. Sobretudo no Peso da Régua e Pinhão.

Barcos Rabelo percorrem o Douro de janeiro a dezembro. Foto © Filipe Ribeiro

Estamos no Pinhão, em plena Região Demarcada do Douro. Aqui, os “três meses de inferno”, em oposição aos “nove meses de inverno”, já começaram.  As temperaturas nesta época do ano atingem facilmente os 30 graus. Nesta vila que deve o nome ao rio que aqui vem desaguar no Douro, os barcos Rabelo já circulam de janeiro a dezembro com turistas que vêm, principalmente, da América do Norte, Reino Unido e centro da Europa. “80 por cento dos turistas que recebemos são estrangeiros”, conta ao 7MONTES Vânia Ramos da Companhia Turística do Douro, empresa autorizada há 25 anos a operar na Via Navegável do Douro (VND).

Os barcos “só em situação de cheias ou de muito mau tempo é que não saem”, acrescenta a operadora turística, que todos os dias coloca seis barcos a circular, principalmente, entre o Pinhão e a Romaneira ou até ao Tua. “São barcos que estão cobertos. Têm todas as condições para circular, faça chuva ou faça sol”, adianta.

As embarcações de 17 metros, construídas originalmente em madeira, foram adaptadas para transportar os turistas. Os Rabelo podem levar entre 12 e 20 pessoas, “em função da capacidade do motor”, mas nos últimos anos a empresa teve necessidade de adquirir embarcações de maior capacidade, inspiradas na mesma tipologia de barco, face ao aumento da procura. O barco maior tem capacidade para 138 pessoas. Há outros dois capazes de transportarem 60 pessoas.

Anos antes, em 2020, a chegada da pandemia veio reduzir a procura por parte do cliente estrangeiro e o número de viagens caiu bastante. “O número de turistas ingleses, franceses, espanhóis ou alemães diminuiu, mas em compensação aumentou a procura do público nacional”, relembra Vânia Ramos, que admite que os portugueses foram responsáveis por manter a operação turística à tona entre 2020 e 2022. Mesmo assim, o ano de 2022, em que se notou algum regresso à normalidade, “não foi tão bom como o de 2019”. “Felizmente, o ano de 2023 já permitiu recuperar os números pré-pandemia”, diz.

É, por isso, com “otimismo” que a companhia turística, que emprega atualmente 24 funcionários, vê o futuro da navegação no Douro, embora defenda uma eficaz manutenção da via navegável, com comunicações de segurança na navegação, a cedência da informação em tempo real de caudais e a marcação e gestão das eclusas das barragens por parte da entidade que os tutela, a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL). Questões que a Associação das Atividades Marítimo Turísticas do Douro (AAMTD), constituída em 2016 e que representa as 28 empresas do setor marítimo turístico (cruzeiros e hotéis), pretende ver salvaguardas.

Vila do Pinhão é visitada, todos os dias, por centenas de turistas. Foto © Filipe Ribeiro

7MONTES é financiado pelo programa Local Media for Democracy do Journalismfund Europe www.journalismfund.eu

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