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Alexandre Parafita

Novo livro reúne lendas e contos populares orais de Bragança e Vinhais

Livro de Alexandre Parafita foi apresentado no Porto, na Casa Regional dos Transmontanos e Alto-Durienses. Foto © DR

Mais de duas centenas de narrações orais, “resgatadas no Nordeste profundo”, histórias e lendas associadas a “capelas, alminhas, aparições da Virgem, tesouros em ruínas de castros e castelos”, mas também a “almas penadas, lobisomens, bruxas e demónios” foram reunidas em livro por Alexandre Parafita, escritor que se dedica à etnografia transmontana.

Lendas e Contos Populares Transmontanos – Tesouros de Memória, vol. 1., dedicado aos concelhos de Bragança e Vinhais, é a mais recente obra do autor, “onde figuram contos religiosos, contos de animais, contos de encantamento, contos jocosos e anticlericais”, descreve.

A apresentação do novo livro do escritor e etnólogo decorreu no sábado na Casa Regional dos Transmontanos e Alto-Durienses, no Porto, associação que comemorou 40 anos. Barroso da Fonte (escritor e decano dos jornalistas portugueses) e José Almeida (crítico literário e vice-diretor da revista Nova Águia), apresentaram a obra como “um estudo histórico-antropológico”.

Alexandre Parafita enaltece “a importância de valorizar o património cultural imaterial” que conseguiu reunir num livro que resulta de percorrer o “Nordeste profundo”, “em busca dos narradores da memória ainda ativos e dos seus valiosos testemunhos”.

Alexandre Parafita, doutor em Cultura Portuguesa (na área do Património Cultural Imaterial) e mestre em Ciências da Comunicação (especialidade de Antropologia da Comunicação), é docente do ensino superior, investigador integrado do Centro de Estudos de Letras (CEL) da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e investigador colaborador do CEPESE (Universidade do Porto) e do CLEPUL (Universidade de Lisboa), etnógrafo, escritor e jornalista.

 

Título: Lendas e Contos Populares Transmontanos – Vol. I: Bragança e Vinhais

Autor: Alexandre Parafita

Edição: Zéfiro, 276 páginas, ano: 2024.

 

Dois almocreves castigados por S. Bartolomeu

Conta a lenda que, há muitos e muitos anos, dois almocreves de Coelhoso andavam de terra em terra a fazer os seus negócios, e como os negócios não lhes tinham corrido bem, ao passarem junto à capela de S. Bartolomeu, em Argozelo, viram a porta aberta e foram lá buscar o santo e levaram-no.

Durante o caminho, como o culparam pelo insucesso dos negócios, descarregaram nele todas as maldades. Um pôs-lhe um cigarro na boca e disse-lhe:

– Agora fuma, seu corno, que nunca fumaste na tua vida!

E o outro, ao passarem no rio Sabor, atirou-o à água, dizendo:

– Agora bebe, seu filho da p…!

E o santo lá ficou a flutuar. Passados dias, passou por ali um peleiro que, reconhecendo a imagem, desceu à água e foi buscá-la, levando-a novamente para a sua capela. A vida deste peleiro passou, desde então, a correr sempre bem.

Quanto aos dois almocreves, conta-se que o que deitou o santo ao rio, quando andava a tomar banho, morreu afogado; e o que lhe meteu um cigarro na boca, morreu a fumar, engasgado com o fumo. E até a mula, que serviu de transporte do santo, ia envelhecendo e nunca mais morria, pelo que tiveram de a matar à pancada.

(In: Lendas e Contos Populares Transmontanos – Vol. I: Bragança e Vinhais.)

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