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Rúben Castanheiro

O mundo rural tem os seus encantos

O mundo rural tem os seus encantos, mesmo que esteja despovoado. Foto @Rúben Castanheiro
O mundo rural tem os seus encantos, mesmo que esteja despovoado. Foto @Rúben Castanheiro

Trás-os-Montes tem sofrido, em geral, um decréscimo acentuado de população desde o início do século. A população envelhece e há cada vez menos jovens, pois poucos são os bebés que nascem.
A verdade é que o mundo rural tem os seus encantos, mesmo que esteja despovoado. O chilrear dos passarinhos, o cheirinho matinal a flores campestres… desde pequeno que me sinto habituado a isso.
Concluí recentemente a minha licenciatura. Podia ambicionar novos voos, novas realidades, mas não! Decidi permanecer em Freixiel, no concelho de Vila Flor. Vila Flor pode ser um concelho pequeno, mas como disse Luís Correia, da Apimonte, num dos primeiros trabalhos que realizei para o 7MONTES, devemos louvar o facto de sermos poucos, não “pela tristeza de sermos poucos, mas pela virtude de sermos poucos”. Além disso, há inúmeras razões para continuar a viver na minha terra.
A primeira das quais é o fator segurança. OS dias passam calmos e quase nunca se ouve falar de crimes. Posso andar tranquilo pelas ruas, seja às 8h da manhã ou às 2h da madrugada. O segundo fator é a paisagem. Posso percorrer caminhos terrestres e observar a fauna e a flora, sem ter de me deslocar 20 ou 30 km. Em dois quilómetros a pé de minha casa, entro num dos principais trilhos de Vila Flor, rodeado das variadíssimas espécies da região.
O meu lado arqueológico faz-me não querer sair daqui. Cada rocha deste vale, cada paralelo destas ruas, conta pequenas histórias, sempre que, uma e outra vez, os piso ou observo. E monumentos, não chegam as mãos para os contar. Pelourinhos, castros, e até mesmo a única forca ainda em pé na Península Ibérica… não podia querer mais nada para poder viver.
Nem tudo são vantagens. Apesar de ser rico em termos de natureza, quando comparado com os grandes espaços urbanos, saltam à vista os escassos recursos que por aqui há e os muitos que vão faltando.
Imagino que daqui a 20 anos, possa ver Vila Flor como uma vila desenvolvida, que tira da terra o seu principal rendimento. Uma vila antiga, é verdade, mas animada pelo regresso de alguns dos seus emigrantes e com filhos e netos repovoando uma terra rica de encantos, uma terra que se desfaz em história e em património imaterial e material.

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