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Freixiel, Vila Flor

Os ‘Passos de São José’ continuam a ser andados

As senhoras vão caminhando ao redor da igreja, rezando e cantando.
As senhoras vão caminhando ao redor da igreja, rezando e cantando. Foto © DR

Na aldeia de Freixiel, concelho de Vila Flor, lugar onde se mantêm vivas várias tradições, no Dia do Pai ainda se contam os “Passos de S. José”. O ritual tem lugar para “honrar a imagem de S. José”, diz Fátima Rosinha, 62 anos, doméstica e agricultora, natural da aldeia, em conversa para o 7MONTES.

A iniciativa é levada a cabo pelas senhoras que continuam a rezar o terço, todos os dias, às 15h, na Igreja de Santa Maria Madalena. Algumas têm mais de 80 anos e lembram-se de, desde muito pequenas, participar nos “Passos de São José” e são essas recordações que lhes permitem assegurar que a tradição é mais do que centenária e que hoje respeitam a sequência, as invocações, as rezas e os dizeres dos antigos.

Este ano, o grupo era composto por 11 pessoas. Com o envelhecimento da população, o número total de participantes tem vindo a diminuir.

“Formamos 2 grupos”, explica Fátima Rosinha, “que andam à volta da igreja. Em cada grupo há uma pessoa que leva 15 pedrinhas na mão e vai largando à frente e atrás da igreja” e assim se contam as voltas dadas e as ainda por completar .

Em relação ao terço normal, as rezas mudam, sobretudo nas Avé Marias e no Glória. Volta Fátima a explicar: “Em cada dezena do Rosário, diz uma pessoa de cada grupo: Jesus, Maria e José. E nós respondemos: Minha alma vossa é. Isto, em vez das Avé Marias. No Glória, diz a pessoa que “comanda”: Glória a São José! E nós respondemos: São José dos Anjos amado, Esposo da Virgem, por Deus estimado”.

A cada encontro, atrás e à frente da igreja, a pessoa que comanda faz a seguinte pergunta: “Para onde caminhais?”. A resposta é: “Para Belém”. O diálogo prossegue com mais uma pergunta: “Que ides lá fazer?”, á qual a resposta é: “Visitar o lugar da Terra Santa, onde Jesus morreu por nós, Amen”, terminando com a frase “E nós vamos também”.

Para Fátima, estas tradições devem manter-se, porque fazem parte da “identidade” do território. “Enquanto pudermos, tentaremos manter esta tradição, que nos foi deixada pelos nossos queridos antepassados. Para isso era fundamental, que os mais jovens participassem”, acrescenta.

O "encontro" entre os grupos, nas traseiras da igreja. Foto © DR
O “encontro” entre os grupos, nas traseiras da igreja. Foto © DR

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