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Tradição começou antes da pandemia

Presépio ao ar livre com centenas de figuras em Vilarandelo

Presépio de Rui Cancelinha foi construído ao ar livre e possui centenas de figuras
Presépio de Rui Cancelinha foi construído ao ar livre e possui centenas de figuras

Em Vilarandelo, vila do concelho de Valpaços, há um presépio ao ar livre que nos permite viajar no tempo e conhecer a história desta vila transmontana. Tem centenas de figurantes e retrata os ofícios mais tradicionais da região. É feito em grande parte de peças reutilizadas e nasceu em 2019 por iniciativa de Rui Cancelinha.

“O meu objetivo é representar algumas das nossas atividades e ocupações e também recriar lugares importantes, como a Capela de São Sebastião, o posto dos Correios, o Santuário de Nossa Senhora dos Milagres ou o próprio Largo do Cruzeiro”, explica Rui Cancelinha, que monta este presépio comunitário há cinco anos consecutivos.

Com 62 anos, natural de Vilarandelo, Rui Cancelinha teve, durante vários anos, um quiosque no centro da vila. Atualmente sem ocupação, encontrou na construção deste presépio uma forma de homenagear a terra e as suas tradições.

Rui Cancelinha
Rui Cancelinha, autor do presépio

É no próprio Largo do Cruzeiro, na Rua Dona Amélia Castelo, entre a Casa do Porco Toninho (rei do Carnaval de Vilarandelo) e a Capela de São Sebastião, que o presépio vai ganhando forma ao longo de mais de uma semana e acaba ocupando uma área de 20 metros quadrados. “Há quem venha de propósito a Vilarandelo para o ver. O presépio atrai muita gente de fora nesta época do ano. Fica num sítio de passagem, o que torna tudo mais fácil”, comenta Cancelinha.

Naturalmente que o nascimento de Jesus em Belém, envolto em panos e deitado numa manjedoura, na companhia de José e da Virgem Maria, também está representando, “porque um presépio não se faz sem o menino Jesus”, mas isso não significa que o autor não dê azo à imaginação e lhe imprima um cunho mais pessoal, representando os trabalhos e tradições locais.

Entre outras são visíveis peças alusivas ao ciclo do pão, desde a sementeira à confeção em fornos antigos, incluindo a segada e a malhada, a apanha da azeitona, a pastorícia, sem esquecer a tradicional festa de verão, com a banda filarmónica da freguesia em evidência.

As peças são feitas ora em madeira, ora em esferovite, e adornadas com restos de velhos trapos. O resto do cenário é montado com a ajuda de musgo, fetos, pequenos ramos de oliveiras e de pinheiro, mas também pedras e areia, para dar um ar mais natural e rústico.

Nesta grande montagem, o autor segue a inspiração de São Francisco de Assis ao criar 1223 o primeiro presépio do mundo. Era um cenário vivo que procurava mostrar o nascimento de Jesus entre os animais, pessoas e natureza daquele tempo. Quase mil anos depois, os presépios são indissociáveis do Natal, mas raramente saem do interior das casas de cada um.

Um dos locais representados no presépio de Rui Cancelinha, e que é de visita obrigatória em Vilarandelo, é o Museu do Lagar de Azeite. É um espaço rural, datado do início do século XX, que reflete os trabalhos árduos típicos da época da apanha da azeitona e da produção de azeite. Tal como outros, foi impedido de laborar pela regulamentação comunitária, mas, ao contrário de muitos lagares, este foi bem conservado e agora mostra como eram os trabalhos de outrora.

O antigo lagar, de vara e pedra, que recorria a juntas de bois para puxar as mós que esmagavam a azeitona, mantém as características e mecanismos originais. Foi recuperado pela Junta de Freguesia de Vilarandelo e propõe visitas guiadas para se conhecer em profundidade o ciclo da produção de azeite.

Ver galeria completa:

VILARANDELO, VALPAÇOS

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