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Investimento de 450 milhões

Projeto Eólico revisto em baixa para preservar o lobo-ibérico

Só existem 250 logos a norte do Rio Douro. Foto: DR

A Iberdrola, empresa que promoveu a construção de três barragens a norte do rio Tâmega, no distrito de Vila Real, prevê instalar na mesma região um parque eólico de grande escala com investimento vizinho dos 450 milhões de euros. No entanto, depois de quase dois anos à espera da decisão de licenciamento da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), vê-se agora obrigada a reduzir o número de aerogeradores.

O principal entrave ao “maior projeto eólico do país”, tal como sucedeu com as barragens, construídas entre 2014 e 2023, são os impactes ambientais negativos, principalmente pelo risco de conservação do lobo ibérico, já anteriormente ameaçado pela construção da A24.

O lobo ibérico, uma subespécie que habita a Península Ibérica, conta com uma população atual que deve rondar os 2000 indivíduos. Todavia, de acordo com o Censo Nacional de 2019/2021 do Instituto de Conservação da Natureza e Floresta (ICNF), a norte do rio Douro existem, apenas, cerca de 250 lobos ibéricos.

Os parques eólicos Tâmega Norte e Tâmega Sul, com potências de 211 megawatts (MW) e de 242 MW, respetivamente, num total de 73 aerogeradores, estavam desenhados “numa lógica de aproveitamento do ponto de injeção na rede elétrica que já é explorado pelo complexo hidroelétrico do Tâmega”, de acordo com Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (Recape), em consulta pública.

Assim, como avançou o Expresso, de forma a cumprir as exigências da APA e concretizar o investimento, a Iberdrola vai reduzir o projeto para 38 máquinas eólicas, divididas pelo parque Norte, com 27 torres eólicas e uma potência de 194,4 MW, e pelo parque Sul, com 11 aerogeradores e uma capacidade de 79,2 MW.

Os parques eólicos serão instalados até ao final de 2026 em freguesias dos concelhos de Cabeceiras de Basto, Montalegre, Ribeira de Pena e Vila Pouca de Aguiar, numa região já ocupada por vários outros parques eólicos.

De referir que, neste território, a Iberdrola foi responsável por construir e explorar três grandes barragens. A última, do Alto Tâmega, com uma potência de 160 MW, iniciou o enchimento no último trimestre de 2023. As outras unidades do complexo são Gouvães, uma central de armazenamento e bombagem de 880 MW, e Daivões, com 118 MW, que estão a operar comercialmente desde 2022.

Estas três centrais, em plena produção, compõem um complexo hidroelétrico que se destaca pela grande capacidade de reversibilidade, o que permite utilizar a mesma água mais do que uma vez na produção de eletricidade.

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