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Concelho de Carrazeda de Ansiães

Quatro lugares para um museu da memória rural

A pia de pedra, um dos marcos da região. Foto © Rúben Castanheiro
A pia de pedra, um dos marcos da região. Foto © Rúben Castanheiro

Quem entra no Museu da Memória Rural em Vilarinho da Castanheira, a meio caminho entre Carrazeda de Ansiães e Torre de Moncorvo, nota logo que se trata de uma “casa” que preserva a memória rural, pois encontra à sua esquerda alguns objetos antigos feitos em pedra. O que não se vê logo é que este é um museu “espalhado” por quatro localidades.

O museu é uma estrutura cultural do concelho de Carrazeda de Ansiães dedicada à preservação e divulgação do património material e imaterial do concelho de Carrazeda de Ansiães que, além de um polo na sede do concelho – o Moinho de Vento –, abrange também o Núcleo Museológico do Azeite, na aldeia da Lavandeira, o Núcleo Museológico da Telha, em Luzelos, e os Moinhos de Água do Ribeiro do Coito, que, tal como o museu-sede, são visitáveis em Vilarinho da Castanheira.

As antigas práticas relacionadas com a cultura da vinha, dos cereais e com todo o ciclo do pão estão documentadas nas salas do museu, onde estão também representados diversos ofícios tradicionais, do ferrador, ao canastreiro, passando, entre muitos outros, pelo sapateiro. Desde 2013, ano da sua criação, o Museu da Memória Rural já conta com mais de 20.000 visitas, vindas de diversas zonas de Portugal e dos quatro cantos do mundo, desde a Europa, à América e à Ásia.

A escolha de Vilarinho da Castanheira para sede do museu resultou da convergência de duas situações: a oportunidade de adquirir e remodelar um prédio urbano com muitas das características típicas das casas mais ricas e amplas das áreas rurais de Trás-os-Montes; e de existir na aldeia um lagar granítico para produção de vinho e de bebidas destiladas, sobretudo aguardente. A adaptação e revitalização do espaço interior da casa permitiu abrigar exposições e coleções que documentam a história e as tradições locais. Por outro lado, a utilização de ecrãs tácteis e outros instrumentos de comunicação digital permitam aos visitantes “viajarem” pelo mundo das temáticas rurais e partilharem informações sobre essas realidades.

Alguns utensílios de tanoaria, presentes no museu. Foto © Rúben Castanheiro
Alguns utensílios de tanoaria, presentes no museu. Foto © Rúben Castanheiro

Para “munir o Museu da Memória Rural de um órgão editorial que estabelecesse a ponte entre o museu, os investigadores e o público” foi criada a revista a revista Memória Rural, de que acaba de ser publicado o sexto número. O objetivo principal desta iniciativa, conta o seu diretor, António Luís Pereira, de 58 anos, natural de Macedo de Cavaleiros e mestre em história e arqueologia medievais, é ser “um instrumento que agregue conteúdos definidores da matriz cultural transmontana e que fique disponível para a memória futura”.  A revista presta particular atenção às práticas e tradições locais, através da recolha oral de histórias e de informação, da recolha fotográfica, da partilha de recordações e lembranças e da publicação de vídeos online com testemunhos de quem viveu, ou vive ainda, desenvolvendo essas tarefas marcadas pelos processo e instrumentos mais tradicionais.

A edição deste ano da Memória Rural teve uma tiragem de 500 exemplares, pode ser lida online e aborda temas relacionados com a produção, por métodos tradicionais, dos cereais e do vinho. A revista está aberta à colaboração dos que realizam atividades de investigação no território no domínio do património material e imaterial, da memória histórica e da cultura da região. Através destas contribuições e da sua divulgação pretende-se “fortalecer o processo de comunicação do projeto museológico do Museu da Memória Rural, dando-lhe visibilidade e dinâmica regional e nacional”. Só são aceites artigos totalmente originais, que não tenham sido publicados em qualquer outro meio de difusão, quer impresso, quer digital e que respeitem os critérios explicitados nas normas de publicação da revista. A sétima edição da revista será publicada em janeiro de 2025.

Um dos derivados do ferro, que pode ser encontrado no Museu da Memória Rural. Foto © Rúben Castanheiro
Um dos derivados do ferro, que pode ser encontrado no Museu da Memória Rural. Foto © Rúben Castanheiro

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