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Em Miranda do Douro

Tradições de Natal, oportunidade para fazer ouvir o mirandês

Em português, aquelas estrofes seriam: “Maria lavava / São José estendia / O menino chorava / Com o frio que fazia”.
Em português, aquelas estrofes seriam: “Maria lavava / São José estendia / O menino chorava / Com o frio que fazia”.

 

“Maríe lhababa/ San Jesé stendíe / I l nino  choraba / Cul friu que fazíe” – por uma vez o mirandês entra de pleno direito pelas igrejas das terras de Miranda, faz-se ouvir como canto do ritual de “beijar o menino” e é entoado por muitos dos que participam nas ‘missas do galo’ da noite de 24 de dezembro.

Em português, aquelas estrofes seriam: “Maria lavava / São José estendia / O menino chorava / Com o frio que fazia”. Como explica o padre Manuel Marques, pároco de Miranda do Douro, é importante manter “a chama da lhéngua acesa”, uma vez que se trata do património linguístico da região. Além disso, “é também uma forma de cativar os jovens e cimentar as raízes do mirandês”.

Em março de 2020, de acordo com um estudo elaborado pela Universidade de Vigo, a língua era conhecida por cerca de 3.500 pessoas, das quais pouco mais de 1500 seriam capazes de a falar correntemente. Em 1999, o mirandês tornou-se a segunda língua oficial portuguesa e passou a ser lecionada até ao 12º ano no concelho de Miranda do Douro. Mas tal medida é considerada por muitos como sendo insuficiente para garantir um futuro ao mirandês.

Em declarações à Rádio Brigantia, Xosé Henrique Costa, investigador da Universidade de Vigo afirmou, em março deste ano, que “a introdução que se fez do mirandês na escola foi um placebo, porque um ou duas horas da semana para uma língua minoritária não é nada”. Se tudo continuar como está, aquele investigador antecipa que a língua irá desaparecer em duas décadas porque “entre a geração mais velha o uso da língua está por volta dos 70 ou 80 por cento, mas na geração dos mais novos está nos 2 por cento”, ou seja, “não há mais de 1 ou 2 por cento de falantes entre os que têm menos de 18 anos”.

Como forma de contrariar essa tendência e de manter hábitos de geração em geração, as escolas EB1 de Sendim e a EB1 de Miranda do Douro decidiram incentivar os mais novos a cantarem músicas tradicionais de Natal, como forma de difusão para as redes sociais, no dia 20 de dezembro.

“Não é mais do que perpetuar as músicas que se cantavam quando eu era mais novo e que se cantam sempre, e que continuam a prevalecer entre os mais novos, visto que conseguiram resistir ao tempo”, diz ao 7MONTES Paulo Meirinhos, professor de música das duas escolas básicas, que não tem dúvidas: “Estas canções vão continuar na boca das próximas gerações”.

Para essa confiança contribui “a alegria, o entusiasmo e a motivação das crianças para cantar em mirandês”.  Crianças que já são ‘profissionais’ destes cantares que apresentam com alguma frequência em várias associações do município.

MIRANDA DO DOURO

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