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Convento de Balsamão

Uma nova vida para refugiados e migrantes

Frei Casimiro Wyszynzki, uma figura especial de Balsamão. Foto © Rúben Castanheiro
Frei Casimiro Wyszynzki, uma figura especial de Balsamão. Foto © Rúben Castanheiro

Dentro de portas, vão-se alinhando os últimos pormenores para dar melhores condições de vida aos migrantes e refugiados que estão no Convento de Balsamão, em Chacim, Macedo de Cavaleiros. Ao todo, são agora perto de cinco dezenas os instalados na área em que vai nascer o futuro hotel de quatro estrelas. Mas, para já, a intenção dos responsáveis pelo convento é conseguir garantir acolhimento e formação a todos, de forma a poderem prosseguir as suas vidas em qualquer parte do mundo.

Eduardo Novo, 44 anos, padre da Congregação dos Marianos da Imaculada Conceição e diretor do convento, fala ao 7MONTES na soleira da porta do convento, num dia de Inverno cheio de sol. É um homem bem-disposto e de conversa fácil. Tem vários projetos em mente, mas a urgência mais imediata é poder oferecer a cada um dos refugiados e migrantes tudo quanto possa ajudá-los a sentirem-se em casa, criando um ambiente de “família”, superando as diferenças de origens, percursos, histórias, culturas e religiões. Esse sentimento de estar apoiado numa “família” ajuda a “alimentar sonhos e a transformar vidas”, diz o padre Novo, que acolhe cristãos, hindus e muçulmanos, refugiados do leste da Europa e migrantes de África e da Ásia.

Junto com o acolhimento e a integração, a prioridade é a formação, de modo que cada um ganhe a sua autonomia e independência. Com esse objetivo são dadas aulas de língua portuguesa, cultura, história e geografia de Portugal, possibilitando aos que chegam quase sempre com pouco mais do que a roupa que trazem vestida obter conhecimentos básicos sobre o país onde estão a viver. Porque não querem que “eles se sintam sós”, os responsáveis do convento ajudam-nos “na procura de trabalho e de casa” e continuam a acompanhá-los depois de se instalarem fora dos espaços da congregação.

Nos últimos anos, o convento de Balsamão tem acolhido, um elevado número de migrantes e refugiados, homens e mulheres em igual número, quase sempre tendo deixado para trás filhos, pais e mães. Os primeiros chegaram por intermédio do Alto Comissariado para as Migrações, em parceria com a Câmara de Macedo de Cavaleiros. Mais recentemente têm chegado ao convento através da Segurança Social.

O padre Novo recorda como a decisão foi tomada em Fátima durante uma reunião em que se debatia a situação dos refugiados e imigrantes que escolhiam vir para Portugal, sem se saber muito bem por que razão. E de como então se assustou porque, após ter dito ser possível acolher alguns em Balsamão, “queriam mandá-los logo de seguida”, sem dar tempo a que preparassem o convento para os receber.

Eduardo Novo, o padre "bem disposto" e sempre disponível para o convento de Balsamão. Foto © Rúben Castanheiro
Eduardo Novo, o padre “bem disposto” e sempre disponível para o convento de Balsamão. Foto © Rúben Castanheiro

Requalificar e repovoar

Requalificar a área envolvente do convento, alargar a oferta e introduzir novos serviços relacionados com as termas, que o padre Novo classifica como algo “fora do normal”, são alguns dos projetos que os monges ali querem realizar, ligando saúde, bem-estar e aventura”. Sempre dentro do objetivo de “permitir um conforto diferente a quem visite o local”, potenciando “as características do Convento de Balsamão” inscritas nos seus três símbolos – “o silêncio, a luz e a água” – e nos seus quatro princípios: “a espiritualidade, a saúde, a cultura e a natureza”.

Outro dos projetos tem como eixo principal a criação de “circuitos terapêuticos” no “percurso sensorial à volta do rio Azibo”. O objetivo não é só “abrir Balsamão para o mundo, mas também dar ao mundo a oportunidade de conhecer este pequeno espaço, no meio da montanha”, acrescenta o padre Novo.

Atualmente, a maior parte do que é consumido no convento é cultivado em terras pertencentes à congregação, com especial relevo para as hortícolas. Mas a intenção é reestruturar o espaço agrícola e florestal, a pecuária e a transformação de produtos, não apenas para “consumo interno”, mas também para os mercados de proximidades que os frades já abastecem.

Deste modo, os vários projetos que os frades têm em mente pretendem oferecer condições de acolhimento e de qualificação da mão-de-obra e, ao mesmo tempo, contribuir para revitalizar a região de Macedo de Cavaleiros, através de parcerias com empresas e outras instituições, que ajudem a fixar novas famílias num território de baixa densidade populacional.

O convento de Balsamão, onde estão hospedados alguns migrantes e refugiados. Foto © Rúben Castanheiro
O convento de Balsamão espera “alimentar sonhos e transformar a vida” dos migrantes e refugiados. Foto © Rúben Castanheiro

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